A implantação de jardins de chuva urbanos começou em Belém como parte das soluções baseadas na natureza (SbN) para conter alagamentos. As intervenções seguem o conceito de "cidade-esponja", atuando em pontos estratégicos para absorver, reter e infiltrar a água da chuva, reduzindo o escoamento superficial que causa enchentes.
Os jardins de chuva são áreas verdes construídas em locais antes impermeabilizados, como calçadas e ruas. Eles recebem a água da chuva e permitem que ela seja absorvida gradualmente pelo solo, filtrando sedimentos e poluentes antes que cheguem aos canais urbanos. O projeto inclui também canteiros pluviais, biovaletas, bacias de retenção e infiltração, e poços de infiltração.
As intervenções estão sendo implementadas em quatro pontos da cidade:
· Rua dos Mundurucus, esquina com a travessa Quintino Bocaiuva
· Avenida Marechal Hermes, ao lado do Porto Futuro
· Travessa Rui Barbosa, esquina com a avenida Gentil Bittencourt (lado do Centur)
· Travessa Quintino Bocaiuva, esquina com a avenida Conselheiro Furtado (próximo à Semma)
Segundo Bárbara Paiva, doutoranda em resiliência climática e assessora técnica da Semma, "essas soluções transformam a cidade em uma espécie de 'esponja'. A água deixa de ser apenas um problema e passa a ser gerida de forma que protege o solo, reduz enchentes e ainda melhora a qualidade de vida e o conforto térmico da população."
Entre os benefícios esperados estão a redução de alagamentos, melhoria da qualidade da água nos canais urbanos, criação de novos espaços verdes, aumento da biodiversidade com plantio de espécies nativas (como helicônia, tajá e grama-amendoim) e promoção do conforto térmico.
O projeto segue normas técnicas reconhecidas, como o Guia Prático de Jardins de Chuva para Cidades, e prevê a criação de uma portaria municipal para consolidar essas práticas como política pública de drenagem sustentável.