Natura une carbono, conservação e renda em comunidade amazônica

Modelo de Pagamento por Serviços Ambientais com cooperativa RECA em Rondônia gera créditos de carbono e benefícios diretos. Estudo do CEBRAP mostra renda 37% maior entre participantes.

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Natura une carbono, conservação e renda em comunidade amazônica
Foto: Divulgação
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A Natura consolidou um modelo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) em parceria com a cooperativa RECA em Rondônia, permitindo que a própria comunidade gere créditos de carbono e receba diretamente os recursos. O modelo de insetting fortalece fornecedores estratégicos e garante governança local. Um estudo do CEBRAP revelou que os produtores participantes têm renda média anual 37% superior aos não participantes, e 25% dos filhos das famílias envolvidas estão no ensino superior (contra 4% no grupo de comparação). A iniciativa também aumentou a capacidade de reserva financeira e o acesso ao lazer. A Natura se comprometeu a adquirir 50% dos créditos de carbono na Amazônia até 2030.

 

Em um cenário onde o mercado de carbono brasileiro ainda enfrenta desafios de estrutura e credibilidade, a Natura vem consolidando um modelo próprio de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) dentro da sua cadeia de valor na Amazônia. Desenvolvida em parceria com a cooperativa RECA, em Rondônia, a iniciativa permite que a própria comunidade gere créditos de carbono e receba diretamente os recursos, integrando conservação florestal, geração de renda e fortalecimento produtivo.

Modelo de insetting e protagonismo comunitário

Parceira da Natura há mais de uma década e fornecedora de bioativos como cupuaçu e castanha-do-Brasil, a RECA tornou-se um exemplo concreto da estratégia climática da empresa no território. Diferentemente da compensação convencional, que compra créditos de terceiros, o modelo adotado opera no formato de insetting: a compensação ocorre dentro da própria cadeia produtiva, fortalecendo fornecedores estratégicos e ampliando a previsibilidade no longo prazo.

A iniciativa prevê a repartição de benefícios entre pagamento individual às famílias e um fundo coletivo, cuja aplicação é definida pela própria cooperativa. Essa governança local tem permitido investimentos estruturantes e ampliado as oportunidades para as novas gerações no território, destacando o protagonismo comunitário.

Estudo do CEBRAP mostra impactos socioeconômicos

Um estudo concluído em 2025, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), analisou os impactos socioeconômicos da iniciativa ao longo dos últimos anos. A pesquisa, realizada durante seis meses, trouxe resultados expressivos:

· Produtores participantes do projeto têm renda média anual 37% superior à de não participantes.

· 25% dos filhos das famílias envolvidas estão no ensino superior, contra apenas 4% no grupo de comparação.

· O levantamento também aponta maior capacidade de reserva financeira e maior acesso a lazer entre os participantes.

“Optamos por estruturar um modelo de carbono que dialoga diretamente com nossa cadeia produtiva. O estudo reforça que é possível alinhar conservação da floresta, geração de renda e estratégia empresarial com impacto mensurável no território”, afirma Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura.

Integração da agenda climática à operação amazônica

Para a companhia, o modelo representa mais do que compensação de emissões. Ao integrar a agenda climática à operação na Amazônia, a Natura busca aumentar a qualidade e a rastreabilidade dos créditos utilizados em sua estratégia de neutralização, ao mesmo tempo que fortalece cadeias produtivas estratégicas e contribui para a resiliência das comunidades fornecedoras.

A iniciativa integra o compromisso público da empresa de adquirir 50% dos créditos de carbono na Amazônia até 2030, combinando redução, compensação e fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade. O caso RECA demonstra que é possível estruturar uma estratégia de carbono com integridade ambiental, impacto social e retorno econômico, transformando a conservação florestal em vetor simultâneo de desenvolvimento local e resiliência empresarial.

Por Portal Belém com redação de Antonia Ribeiro.


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