BRT de Belém ainda está longe de funcionar como planejado. Diante da fragmentação entre os modais operados pela Prefeitura e pelo Governo do Pará, o Ministério Público do Estado (MPPA) recomendou que o Executivo estadual assuma a gestão do BRT da capital, a fim de integrá-lo ao BRT Metropolitano, que segue em obras e já está sob responsabilidade do Estado.
A recomendação do MPPA busca retomar o conceito original de um sistema único, eficiente e acessível à população da Região Metropolitana de Belém. “O BRT não é simplesmente uma estrutura de canaletas e estações, é mais que isso. Tem uma lógica, um sistema operacional, para facilitar o alcance do transporte a todos que estão no território, capilarizando o transporte”, explicou o promotor de Justiça Raimundo Moraes. Ele acrescenta que a proposta foi construída em diálogo com os prefeitos da região e o Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM), que coordena o BRT Metropolitano. “Com o aceite do órgão e do prefeito de Belém, Igor Normando, teremos a oportunidade de voltar ao conceito real e original.”
Segundo o MPPA, a ideia é que se implemente um único sistema, com tarifa unificada, controle centralizado e integração plena das linhas e estações. No entanto, a realidade atual está longe desse cenário. Passageiros enfrentam longas esperas, veículos superlotados e estações abandonadas. Na estação de São Brás, uma das mais movimentadas, é comum ver usuários aguardando por mais de uma hora. “A espera é longa”, relata o ajudante de pedreiro Renilson Souza. “Além da demora, o ônibus vem sempre lotado”, complementa a doméstica Tatiana Oliveira.
Atualmente, a pista expressa do BRT passa grande parte do tempo vazia, enquanto passageiros se amontoam em coletivos sem conforto. Algumas estações sequer estão operando. A de São Brás, por exemplo, está fechada e apresenta sinais de depredação.
De acordo com o MP, a ausência de uma integração entre os dois sistemas – o BRT de Belém, operado pela Prefeitura, e o BRT Metropolitano, sob responsabilidade do NGTM – compromete totalmente o propósito da obra. Além disso, não há bilhetagem unificada, nem conexão física eficiente entre os modais, o que obriga os passageiros a fazer múltiplos deslocamentos sem garantia de continuidade no trajeto.
O projeto original do BRT previa facilitar o deslocamento de passageiros entre o distrito de Icoaraci e o centro de Belém, com início das obras em 2012 e conclusão em até 18 meses. A obra, inicialmente orçada em R$ 263 milhões, já consumiu quase R$ 980 milhões dos cofres públicos. Mesmo com esse investimento expressivo, o sistema ainda opera de forma parcial e ineficaz.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana informou que já foi notificada da recomendação e está em tratativas com o Governo do Estado para construir uma resposta conjunta à proposta do Ministério Público.
Com informações do G1.