Réveillon 2026: proteja seu pet dos perigos ocultos nas festas de fim de ano

Veterinário alerta para riscos com fogos, alimentos da ceia e o início do inverno amazônico; saiba como garantir a segurança de cães e gatos na virada.

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Foto: Getty Images

Belém (PA) – A gente sabe bem como funciona o ritmo do paraense: a chuva da tarde cai, o tacacá esfria a alma (ou esquenta, dependendo da pimenta) e a cidade começa a se preparar para a grande virada. Mas, enquanto nós escolhemos a cor da roupa para atrair sorte em 2026, nossos "filhos de quatro patas" podem estar prestes a enfrentar o pior dia do ano. Não é drama, é biologia. O barulho ensurdecedor dos fogos, aquele restinho de ceia que cai no chão e até a umidade típica do nosso inverno amazônico formam a tempestade perfeita para transformar a festa em plantão veterinário.

Para entender como blindar nossos bichinhos, conversei com o médico veterinário Manoel Soares, da Estácio, que trouxe alertas essenciais. Se você ama seu pet, precisa ler isso antes de estourar a primeira champanhe.

O terror vem do céu (e não é chuva)

Vamos falar o óbvio que precisa ser dito: fogos de artifício são o pesadelo de qualquer tutor consciente. A audição de cães e gatos é infinitamente mais sensível que a nossa. O que para nós é "festa", para eles é um bombardeio. Segundo Soares, o pânico gerado pelos estrondos ativa um modo de sobrevivência imediato.

“O som de alta intensidade, os clarões e as vibrações ativam respostas de estresse imediato nos animais, que interpretam tudo isso como ameaça”, explica o veterinário. O resultado? Tremores, salivação que parece não ter fim, respiração ofegante e, no pior dos cenários, automutilação ou fugas desesperadas. E acredite, eles fogem cegos de medo, o que aumenta drasticamente o risco de atropelamentos e desaparecimentos definitivos.

A regra de ouro aqui é o acolhimento. Esqueça a ideia de deixá-los no quintal "para acostumar". O lugar deles é dentro de casa, em um ambiente seguro, com portas e janelas fechadas (para abafar o som e evitar fugas). “Sobre o uso de medicação calmante, ela pode ser necessária em casos de medo intenso, mas somente com prescrição veterinária”, alerta Soares. Nada de dar aquele comprimidinho que sobrou da tia avó, ok? Sedar sem tirar a ansiedade pode deixar o animal paralisado de medo, preso no próprio corpo – um filme de terror que ninguém merece viver.

A ceia é sua, não deles

Sabe aquele arroz com passas que divide opiniões na família? Para o seu cachorro, ele não é polêmico, é tóxico. O clima de "liberou geral" na comida de fim de ano é um dos maiores causadores de intoxicações graves. Uvas e uvas-passas, por exemplo, podem causar insuficiência renal aguda.

E não para por aí. O chocolate do pavê? Contém teobromina, que pode causar arritmias e convulsões. Aquele ossinho do pernil? Um perigo real de perfuração intestinal. “São situações que frequentemente levam os animais a emergências veterinárias nessa época do ano”, pontua o especialista. Se quiser agradar, vá de clássicos seguros e sem tempero: pedacinhos de cenoura, maçã (sem sementes!) ou banana. O estômago deles agradece, e seu bolso também.

Inverno Amazônico: umidade e coceira

Quem mora no Norte sabe: virou o ano, a água desce. O nosso famoso inverno amazônico traz chuvas diárias e uma umidade que não dá trégua. Esse cenário é o paraíso para fungos, bactérias e ectoparasitas (pulgas e carrapatos).

Soares lembra que a secagem correta após os passeios é inegociável. Deixar o pelo úmido é pedir para ter problemas com dermatites e otites. Além disso, a lama das poças pode ser vetor de doenças como a leptospirose. Mantenha a vacinação em dia e o ambiente limpo.

Vai viajar? Planeje!

Se a ideia é pegar a estrada para Salinas ou Mosqueiro, o planejamento deve começar agora. Vacinas, vermífugos e antipulgas precisam estar em dia. E se o pet for ficar em um hotelzinho, visite o local antes. “O maior erro cometido no fim de ano é subestimar os riscos”, conclui Manoel Soares.

No fim das contas, a virada de ano deve ser celebrada com quem a gente ama – e isso inclui aqueles que nos esperam abanando o rabo todo dia. Um pouco de prevenção garante que o único barulho na sua casa seja o das taças brindando um 2026 incrível.

 

Por Thaís Raquel de Moraes, para o Portal Belém.