Parasitas em cães: clima do Brasil exige proteção o ano todo

Mosquitos, pulgas e carrapatos transmitem doenças graves e fatais; interrupção de antiparasitários cria janelas de vulnerabilidade.

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Foto: istock/Jasmina007

O cenário de doenças parasitárias em cães no Brasil é intenso e, devido ao clima tropical, a reprodução de vetores é favorecida durante o ano todo. Os principais inimigos da saúde canina são carrapatos, mosquitos e pulgas, que frequentemente são negligenciados pelos tutores, mas funcionam como vetores de enfermidades graves e, em muitos casos, fatais para os animais de estimação.

Manter a proteção ativa e contínua é a única garantia de que o organismo do pet estará protegido contra novas infestações, impedindo o desenvolvimento de patologias que possuem tratamento complexo e alto índice de letalidade.

As ameaças silenciosas: o que os parasitas transmitem

       • Leishmaniose Visceral Canina: Considerada uma das doenças mais graves e de mais difícil controle no país, a leishmaniose é uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida para humanos. Seu vetor é o mosquito-palha, inseto muito comum em diversas áreas do território nacional. A doença afeta órgãos vitais como fígado, baço e rins. Não existe cura parasitológica para a enfermidade, apenas tratamentos paliativos para controle dos sintomas e redução da carga parasitária. Os principais sinais clínicos incluem emagrecimento progressivo, fraqueza, febre e lesões cutâneas. Para o diagnóstico definitivo, é imprescindível a realização de exames de sangue laboratoriais conduzidos por um médico-veterinário.

       • Erliquiose (Doença do Carrapato): Causada pela bactéria Ehrlichia canis e transmitida pelo carrapato marrom, a erliquiose provoca febre, prostração extrema e uma severa queda na taxa de plaquetas, quadro que pode evoluir para anemia profunda e hemorragias fatais se não houver intervenção precoce. O carrapato marrom possui alta capacidade de adaptação a ambientes urbanos, escondendo-se facilmente em frestas de muros, batentes de portas e canis em zonas endêmicas. O diagnóstico é estabelecido por meio de hemograma completo e testes sorológicos específicos. O tratamento baseia-se no uso de antibióticos por tempo prolongado e suporte terapêutico para os sintomas secundários.

       • Dirofilariose (Verme do Coração): Esta patologia tem crescido silenciosamente em regiões de clima quente e úmido, com especial prevalência em cidades litorâneas. O vetor é o mosquito do gênero Aedes, amplamente distribuído em áreas com água parada ou próximas ao mar. Os vermes adultos se instalam nas artérias pulmonares e nas câmaras cardíacas, provocando insuficiência cardíaca grave. A dirofilariose manifesta-se por tosse crônica, fadiga crônica e fraqueza generalizada. O parasita pode levar até nove meses para se desenvolver completamente no hospedeiro, tornando o acompanhamento clínico e os exames de rotina fundamentais.

       • Dipilidiose: Transmitida por pulgas, que também causam anemias parasitárias e dermatites alérgicas por picada (DAPE). O cão contrai a dipilidiose ao ingerir acidentalmente uma pulga infectada pelo verme Dipylidium caninum durante o hábito de se coçar ou lamber. Também classificada como zoonose, a infecção tem como sinal característico o ato de o cão esfregar o traseiro no chão devido à intensa irritação anal, além de perda de peso crônica e diarreia.

Por que a prevenção precisa ser contínua?

Diferente de países de clima temperado, onde o inverno rigoroso interrompe o ciclo biológico dos vetores, as características climáticas do Brasil permitem que pulgas, carrapatos e mosquitos se reproduzam sem tréguas nas quatro estações. A suspensão temporária ou a interrupção do uso de medicamentos antiparasitários para pets cria janelas de vulnerabilidade perigosas. Basta uma única picada de um vetor infectado para transmitir patologias de alta gravidade.

A prevenção eficaz baseia-se na proteção conjunta do corpo do animal e do local onde ele vive. O uso de antiparasitários de longa duração é o pilar central do cuidado, devendo ser associado a repelentes específicos contra mosquitos e ao controle rigoroso das áreas de passeio do cão.

Atualmente, o mercado oferece antiparasitários em vários formatos. Os medicamentos tópicos em pipeta como o conhecido Vectra 3D, aplicados diretamente na pele do animal, atuam por contato e impedem a picada, enquanto os comprimidos mastigáveis agem sistemicamente através da corrente sanguínea. Cada formato possui indicações específicas que variam de acordo com o peso, estilo de vida do animal e a região endêmica onde reside. A escolha do protocolo ideal deve ser sempre orientada por um médico-veterinário.

SERVIÇO

Para garantir a saúde do seu pet, o acompanhamento veterinário preventivo deve ser realizado regularmente. Em caso de aparecimento de sintomas como apatia, perda de apetite, febre ou lesões na pele, procure imediatamente uma clínica veterinária. Os exames de triagem para doenças transmitidas por vetores (como hemograma e testes sorológicos rápidos) são recomendados anualmente, especialmente para cães que frequentam áreas de praia ou regiões com alta incidência de mosquitos e carrapatos.

Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.