O uso da PrEP, terapia preventiva contra o HIV, cresceu no Brasil em 2025 e também registrou alta expressiva na Região Norte, com destaque para o Pará. Dados do Ministério da Saúde mostram que, no recorte nacional, a dispensação subiu 28,1%, passando de 110.733 unidades em 2024 para 141.891 em 2025. Ao mesmo tempo, o número de tratamentos descontinuados aumentou 41,6%, saltando de 54.740 para 77.522.
Na Região Norte, as dispensações passaram de 19.659 para 25.494, crescimento de 29,68%. O SUS foi responsável por 99% dos atendimentos. Atualmente, 6.399 pessoas seguem em tratamento ativo na região, enquanto 3.946 descontinuaram o uso nos últimos 12 meses.
O Pará foi o estado com maior crescimento proporcional: as dispensações subiram 45,34%, de 6.520 para 9.476. O estado soma 2.362 pessoas em tratamento ativo e 1.252 interrupções no último ano, com 3.614 pessoas registrando ao menos uma dispensação.
Especialistas apontam que o aumento está relacionado à ampliação da conscientização e à atualização do protocolo do Ministério da Saúde, que passou a recomendar a PrEP para pessoas sexualmente ativas, ampliando o acesso e reduzindo estigmas. Apesar do avanço, os dados reforçam o desafio de manter adesão e continuidade no acompanhamento.
O número de dispensações de PrEP (profilaxia pré-exposição) — terapia preventiva contra o HIV — aumentou em 2025 tanto no Brasil quanto na Região Norte, com destaque para o Pará, que registrou um dos maiores crescimentos do país. Dados do Ministério da Saúde, divulgados em janeiro de 2026, apontam que o Brasil teve alta de 28,1% no uso regular da estratégia, enquanto o Norte subiu 29,68% e o Pará avançou 45,34%.
No recorte nacional, as dispensações passaram de 110.733 em 2024 para 141.891 em 2025. No entanto, o mesmo levantamento revela um sinal de alerta: o crescimento dos tratamentos descontinuados — quando a pessoa abandona a profilaxia — foi ainda maior, chegando a 41,6%, saltando de 54.740 para 77.522.
Região Norte cresce, mas enfrenta desafio de continuidade
Na Região Norte, os dados mostram que as dispensações mensais de PrEP subiram de 19.659 em 2024 para 25.494 em 2025, um aumento de 29,68%.
O SUS segue como principal porta de acesso: 99% dos atendimentos foram realizados no sistema público e apenas 1% no setor privado.
Atualmente, o Norte contabiliza 6.399 pessoas em tratamento ativo, enquanto 3.946 descontinuaram a PrEP nos últimos 12 meses. No mesmo período, 10.345 pessoas registraram ao menos uma dispensação, indicando que muitos iniciam o método, mas não mantêm o acompanhamento.
Pará lidera crescimento e ultrapassa 9,4 mil dispensações
O Pará foi o estado com maior avanço proporcional entre os principais números divulgados na região. As dispensações passaram de 6.520 em 2024 para 9.476 em 2025, crescimento de 45,34%.
A origem dos atendimentos segue majoritariamente pública: 99% pelo SUS e 1% pelo privado.
O estado soma atualmente 2.362 pessoas em tratamento ativo, enquanto 1.252 interromperam o uso nos últimos 12 meses. No período, 3.614 pessoas tiveram ao menos uma dispensação registrada.
Crescimento também aparece em outros estados do Norte
Os dados mostram avanço em todos os estados da Região Norte:
Em praticamente todos os estados, o acesso é sustentado pelo SUS, com percentuais próximos de 100% no atendimento público.
Quem usa PrEP no Brasil
O levantamento nacional mostra que o perfil do usuário segue concentrado em grupos historicamente mais afetados pelo HIV.
Mais de 80% dos usuários são homens gays e HSH (homens que fazem sexo com homens). Já homens heterossexuais representam 8,4% e mulheres, 6,5%.
A faixa etária mais comum é entre 30 e 39 anos (42,7%), seguida por pessoas de 25 a 29 anos (21,5%) e de 40 a 49 anos (18,7%).
Por que a PrEP está aumentando
Especialistas relacionam o crescimento ao aumento da informação sobre a eficácia do método e ao fortalecimento das campanhas do Ministério da Saúde.
Outro fator decisivo foi a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que ampliou a indicação: a PrEP deixou de ser recomendada apenas para grupos de maior risco e passou a ser indicada também para todas as pessoas sexualmente ativas.
A mudança reforça a prevenção como estratégia universal, reduzindo estigmas e ampliando o acesso.
São Paulo registra queda nos diagnósticos
Em São Paulo, onde a PrEP tem maior distribuição e campanhas mais frequentes, os diagnósticos de HIV caíram 54,6% entre 2016 e 2023, passando de 3.716 para 1.705 casos, segundo dados citados no levantamento.
Experiências internacionais, como a de São Francisco (EUA), também apontam tendência de redução de novos diagnósticos quando a prevenção é combinada com testagem e tratamento.
Produção nacional e investimentos
A PrEP no Brasil também é marcada pela produção nacional do medicamento. A Blanver, empresa pioneira na fabricação do tratamento no país, produz o Binav®, indicado como alternativa disponível tanto no SUS quanto em farmácias.
Segundo Sérgio Frangioni, CEO da empresa, o avanço da PrEP tem impacto comparável ao dos antirretrovirais nos anos 1990, mas com foco em evitar novas infecções.
A companhia também anunciou um ciclo de investimentos de R$ 592 milhões até 2028, com objetivo de ampliar a produção de medicamentos estratégicos e a fabricação de IFAs (insumos farmacêuticos ativos) no Brasil.
O projeto inclui apoio do BNDES, com aporte de R$ 220 milhões para o desenvolvimento de 19 medicamentos, sendo que 15 incluem também a produção local de IFAs.