NR-1 amplia debate sobre saúde mental no trabalho

Nova regra exige prevenção de riscos psicossociais, mas especialistas alertam para desafio de tratar quem já foi afastado

Por
2 Min

NR-1 amplia debate sobre saúde mental no trabalho
Reprodução
RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA
Clique aqui para Ler o Resumo

A atualização da NR-1 amplia a responsabilidade das empresas na gestão de riscos psicossociais, exigindo ações estruturadas de prevenção até 25 de maio. A mudança ocorre após o Brasil registrar mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, número recorde segundo dados do INSS divulgados pela imprensa.

A norma determina que organizações identifiquem e monitorem fatores como assédio e sobrecarga. No entanto, especialistas avaliam que discutir apenas prevenção é insuficiente diante do volume de trabalhadores já afastados por depressão, ansiedade e burnout.

Segundo o psiquiatra Guido Boabaid May, é necessário investir também em tratamento eficaz e reintegração profissional. Ele ressalta que ambientes de pressão constante ativam mecanismos prolongados de estresse no cérebro, afetando desempenho e aumentando o risco de quadros crônicos.

O especialista defende o uso de abordagens personalizadas, como testes farmacogenéticos, que auxiliam na escolha de medicamentos mais adequados e reduzem o tempo de recuperação.

Para especialistas, integrar prevenção, ciência e governança corporativa é essencial para enfrentar de forma sistêmica o avanço dos transtornos mentais no ambiente de trabalho.

A atualização da NR-1, que passa a exigir das empresas brasileiras a identificação e o monitoramento de riscos psicossociais até 25 de maio, amplia a responsabilidade corporativa sobre a saúde mental no trabalho. A mudança ocorre em um momento crítico: em 2025, o país registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica, segundo dados divulgados pela imprensa com base no INSS.

A norma determina que organizações adotem medidas estruturadas para prevenir situações como assédio, sobrecarga e insegurança psicológica. No entanto, especialistas alertam que o debate não pode se limitar à prevenção, já que há uma parcela expressiva de trabalhadores que já enfrenta quadros como depressão, ansiedade e burnout.

Segundo o psiquiatra Guido Boabaid May, CEO da GnTech, é preciso olhar para quem já adoeceu. Ele avalia que focar apenas na redução de riscos futuros ignora uma população que necessita de tratamento eficaz e estratégias de reintegração profissional.

Impactos no cérebro e no desempenho

Ambientes marcados por pressão constante e conflitos recorrentes podem ativar mecanismos prolongados de estresse, afetando atenção, tomada de decisão e regulação emocional. O resultado é um ciclo que envolve queda de produtividade, sofrimento psíquico e afastamentos repetidos.

De acordo com o especialista, afastamentos não devem ser tratados apenas como questão administrativa, mas como sinal de que o organismo entrou em estado de alerta contínuo. Sem acompanhamento adequado, episódios agudos podem evoluir para quadros crônicos.

Tratamento personalizado e inovação

O médico defende que o modelo tradicional de tentativa e erro na prescrição de medicamentos pode prolongar o sofrimento. Ele destaca que avanços científicos já permitem abordagens mais individualizadas, como testes farmacogenéticos capazes de indicar a resposta do organismo a determinados fármacos.

Com base nessas análises, é possível ajustar medicação e dose com maior precisão, aumentando a taxa de resposta terapêutica, reduzindo efeitos colaterais e acelerando a recuperação.

Para especialistas, a efetividade da NR-1 dependerá da integração entre prevenção, tratamento clínico estruturado e políticas internas consistentes. Em um cenário em que transtornos mentais figuram entre as principais causas de afastamento no país, ampliar o debate sobre cuidado contínuo tornou-se urgente.


FONTE: Isabella Sala
Tags »
Notícias Relacionadas »