Diabetes afeta bem-estar emocional de 70% dos brasileiros

Pesquisa global aponta que 78% têm ansiedade com o futuro e 2 em cada 5 se sentem isolados. Pacientes defendem uso de sensores com IA para prever variações da glicose.

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Diabetes afeta bem-estar emocional de 70% dos brasileiros
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Pesquisa global do Global Wellness Institute com a Roche Diagnóstica revela que 70% dos brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta significativamente o bem-estar emocional. O estudo ouviu 4.326 pessoas em 22 países, sendo 20% no Brasil. Os dados mostram que 78% têm ansiedade com o futuro e 56% se sentem limitados para sair de casa. Pacientes defendem o uso de sensores contínuos de glicose (CGM) com inteligência artificial para prever crises. O vice-presidente da SBD, André Vianna, afirma que a tecnologia reduz complicações e internações. No Brasil, o SUS ainda não disponibiliza os sensores em larga escala, mas tramita projeto de lei que obriga o fornecimento gratuito.

 

Sete em cada dez brasileiros com diabetes (70%) afirmam que a doença afeta de modo significativo o bem-estar emocional. Setenta e oito por cento relatam ter ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco pacientes se sentem sós ou isolados em função da doença.

Os dados são de pesquisa feita pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, que explorou percepções sobre o diabetes, a vida com a doença e as ferramentas de manejo.

A pesquisa foi realizada em setembro de 2025, em nível global, com 4.326 pessoas com diabetes, com idade igual ou maior que 16 anos, das quais 20% no Brasil. O levantamento foi feito em 22 países.

No grupo de pacientes com diabetes tipo 1, o estudo mostra que 77% afirmam ser afetados de modo significativo em seu bem-estar emocional.

Resultados adicionais mostram que para 56% dos entrevistados no Brasil, o diabetes limita a capacidade de passar o dia fora de casa; 46% afirmam ter dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas. Outros 55% dizem não acordar plenamente descansados, devido aos efeitos das variações glicêmicas durante a noite.

A maior parte dos pacientes diz que não se considera atendido pelo modelo atual de cuidado, apesar dos avanços registrados. Somente 35% se consideram muito confiantes no gerenciamento da própria condição, o que sinaliza a existência de problemas para o controle e previsibilidade da doença.

Em torno de 44% dos consultados defendem que tecnologias mais inteligentes, que possam prever mudanças nos níveis de glicose, deveriam ser priorizadas para prevenção de complicações. Já 46% dos pacientes que usam medidores tradicionais consideram que os sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM) deveriam ser adotados devido à capacidade de funcionarem como alertas preditivos.

Cinquenta e três por cento dos entrevistados apontam que a principal funcionalidade desejada em sensores com inteligência artificial (IA) é a capacidade de prever níveis futuros de glicose. Esse número sobe para 68% entre os pacientes com diabetes tipo 1.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), André Vianna, defende o uso de sensores, especialmente para diabetes tipo 1, cuja glicemia oscila muito. Segundo ele, a tecnologia permite à pessoa entender precocemente o que vai acontecer nas próximas horas e tomar atitude preventiva, reduzindo complicações e gastos para o sistema público.

No Brasil, os aparelhos são difundidos entre pessoas de maior poder aquisitivo, mas não há disponibilização em larga escala no SUS. Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente na rede pública. Tramita na Câmara o Projeto de Lei 323/25, que obriga o SUS a fornecer gratuitamente dispositivos para monitorar a glicose.


FONTE: Agência Brasil
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