Filé mignon chega a R$ 100 o quilo e impulsiona consumo de carnes nobres em Belém; pesquisa do Dieese aponta variação de até 58% nos preços

O segmento premium cresce na capital paraense com alta demanda de consumidores de média e alta renda. Pesquisa do Dieese mostra diferença de 187% entre o filé e a carne de segunda com osso. Assadores, buffets e serviços de delivery se adaptam à nova realidade do mercado.

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Filé mignon chega a R$ 100 o quilo e impulsiona consumo de carnes nobres em Belém; pesquisa do Dieese aponta
Foto: Divulgação
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O preço do filé mignon em Belém atingiu a média de R$ 100,20 o quilo, 187% superior à carne de segunda com osso (R$ 31,03), segundo pesquisa do Dieese Pará. O segmento de carnes nobres cresceu impulsionado por consumidores de média e alta renda, com variação de até 58% nos preços da picanha entre estabelecimentos. Assadores e buffets adaptam seus cardápios, e serviços de delivery de kits de churrasco surgem como nova tendência, com valores entre R$ 180 e R$ 250. A logística de transporte refrigerado e a sazonalidade influenciam os preços na capital. O mercado também absorve carnes importadas, como Angus e Wagyu, que podem chegar a R$ 900 o quilo.

 

O mercado de carnes nobres em Belém registrou crescimento expressivo nos últimos 12 meses, impulsionado por consumidores de média e alta renda que buscam cortes premium em supermercados de grande porte e açougues especializados. Atributos como maciez, marmoreio e padronização, aliados ao alcance de vídeos informativos na internet e canais do YouTube, sustentam a expansão do setor.

De acordo com o monitoramento de preços do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese Pará), o segmento segue aquecido na capital. "Os cortes nobres mais comercializados e procurados em Belém continuam sendo picanha, filé, contra-filé, alcatra, patinho e chã. Pesquisamos semanalmente os preços e encontramos diferenças significativas entre os cortes nobres e os de segunda", destaca o supervisor técnico Everson Costa.

O quilo do filé lidera os valores com média de R$ 100,20 — preço 187% superior ao da carne de segunda com osso, cotada a R$ 31,03. A pesquisa também indica oscilações expressivas entre redes de supermercados e feiras: a picanha registrou a maior variação, com diferença de 58% entre o estabelecimento mais caro e o mais barato. O contra-filé variou 30,5%, enquanto a alcatra oscilou 29,5%.

Assadores e buffets se adaptam à exigência por qualidade

No segmento de eventos, a demanda por qualidade reconfigurou o cardápio dos buffets tradicionais. Marcelo Pimentel, assador e sócio-proprietário da Steakhouse Belém, que atua no ramo há cinco anos, confirma a mudança no perfil do público. "O público que procura esse tipo de carne é mais específico. São pessoas que conhecem os cortes, entendem os diferentes tipos e também os valores. A procura ainda é moderada, mas vem crescendo ao longo dos últimos 12 meses", relata.

Segundo ele, opções como bife ancho, bife chorizo e fraldinha passaram a liderar a preferência dos clientes, deixando a picanha em segundo plano. O mercado local também absorve carnes importadas da Argentina, Uruguai e Estados Unidos, voltadas a um público de maior poder aquisitivo. Produtos de linhagens selecionadas como Angus e Wagyu — cujo quilo pode alcançar R$ 900 em boutiques exclusivas — chegam ao estado sob encomenda. "Dependendo dos cortes escolhidos, o custo final do serviço pode aumentar em mais de 50%", revela Pimentel, que cobra de R$ 150 a R$ 200 por pessoa em seu buffet com carnes nobres, com margem de rentabilidade de 25% a 35%.

Delivery de kits de churrasco ganha espaço

A expansão do setor motivou o surgimento de novos modelos de negócio, como os serviços especializados de entrega de kits de churrasco prontos. Há três meses no mercado, a MPES Carnes Nobres fornece combos com valores entre R$ 180 e R$ 250, com foco na comodidade. A sócia-proprietária Eduarda Santos destaca o alcance da marca: "Temos alcançado vários perfis de clientes porque nossos preços são compatíveis com diferentes públicos, sem abrir mão de um padrão de carne diferenciado."

O sócio-proprietário Millkir Pires explica que a oportunidade surgiu ao perceber a necessidade de mais conforto para o cliente. "Eu mesmo já quis fazer um churrasco com amigos e encontrei o supermercado fechado. Então vimos a oportunidade de oferecer essa comodidade, levando os kits diretamente para a casa do cliente." A empresa garante uma base de 80% de lucro em cada kit.

Custos de transporte e sazonalidade impactam preços

Toda a estrutura de preços do setor na capital é impactada por fatores logísticos e pela sazonalidade. "Temos abastecimento de carne local e também de carnes que chegam ao Pará principalmente por transporte rodoviário refrigerado, oriundas dos principais polos pecuários do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país", explica Everson Costa, do Dieese Pará. Os custos com transporte refrigerado até a Região Norte, com peso e carga expressivos, além de despesas logísticas e de armazenagem, estão entre os fatores que explicam os preços elevados.

A variação da oferta ao longo do ano também altera a rotina do segmento. "Em julho e agosto, alguns cortes praticamente desaparecem, porque a demanda é direcionada ao interior, aos restaurantes e às áreas de praia. Em dezembro acontece a mesma coisa, principalmente com a picanha e o filé, já que esses cortes são reservados para as confraternizações", finaliza o assador Marcelo Pimentel.


FONTE: G1
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