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25/12/2019 às 11h00min - Atualizada em 25/12/2019 às 11h00min

Bragança respira a Festa da Marujada

Festividade começou no último dia 18, mas tem seus dias máximos nesta quarta e quinta-feira (25 e 26)

Andreza Gomes
Com edição do belem.com.br
A tradicional festa do Santo Preto, a Marujada, começou no último dia 18 com ladainhas, missas e shows (Foto: Pedro Tobias de Almeida)
  
O professor e músico Antônio Soares nasceu em Bragança, nordeste paraense, há 58 anos. Veio para Belém, onde trabalhou por duas décadas em rádio e, em 2007, retornou à sua cidade natal.

Toni Soares, como é conhecido artisticamente, tem em seu currículo como artista premiações na Bienal de Música de Belém, além de um rico trabalho de pesquisa musical e regional.

Para fechar este ano, o músico apresenta seu mais novo trabalho, intitulado “Tambores de São Benedito”, durante um concerto no Liceu da Música de Bragança, no sábado (28), às 20 horas, com entrada franca.

“Durante a Festividade de São Benedito, estarei, no dia 25, apresentando ‘O Milagreiro’, cantando e contando os milagres de São Benedito. Será logo após a missa, na igreja de São Benedito, 20h30. No dia 26, Toni Soares se apresenta no Largo de São Benedito, logo após a missa campal”, detalha sua agenda.

São Benedito – A festa de São Benedito sempre foi presente na vida do artista. “São Benedito e a Marujada sempre estiveram na família Soares de Bragança. Assim como eu, tem outros personagens da família Soares que estão envolvidos na festividade de São Benedito. Minha mãe era juíza da Marujada, meu tio também, por isso desde pequeno vivencio a festa”, relembra.

Festa da Marujada – A tradicional festa do Santo Preto, a Marujada, à qual Toni se refere, começou no último dia 18 com ladainhas, missas e shows.

O historiador e professor universitário Dário Benedito Rodrigues, 42, conta que o seu nome veio de uma promessa do avô materno.

“Além de dedicar meu nome, me envolveu com a festividade, com as coisas ligadas São Benedito. Hoje, sou um devoto e faço parte da coordenação da festa, mas a minha ligação íntima com São Benedito vem desde meu nascimento”, explica.

Ele participa da Festa de São Benedito como pesquisador e também como devoto. É Marujo e hoje faz parte da coordenação da Festividade.

“A Festividade iniciou-se em 1798 e a cultura ligada a esta festa foi o foco da minha dissertação de mestrado, que trata sobre a cultura neste entorno, literatura com folclore e com a parte da memória da crônica. Escrevi dois trabalhos bem referenciais sobre a festividade, estudei como nasce o culto e a devoção à São Benedito e como estão ligadas essas manifestações”, detalha.

Dário Benedito Rodrigues afirma que em dezembro muitos se vestem de Marujo para pagar a sua promessa. “Hoje a expectativa de público é de mais ou menos 300 a 400 mil pessoas participando dos festejos desde o dia 18, mas os dias máximos da festa são 25 e 26”, pontua.

Durante a procissão desta quarta-feira (25) são esperadas aproximadamente 100 mil pessoas pelo centro histórico e bairros de Bragança.

“Neste dia 25 de dezembro temos a Ladainha cantada pela manhã; um almoço de um juiz ou juíza e depois a cavalhada e dança” conta.



Reconhecimento - A Igreja de São Benedito e a Marujada possuem registros de reconhecimento do Patrimônio Cultural, tanto de Bragança e também o tombamento da igreja de São Benedito concedida pela Secretaria de Cultura do Pará.

“Nós estamos providenciando um estudo que faz um dossiê e o acompanhamento de todo esse processo, de todos os ritos que envolvem a Festividade de São Benedito e os seus bens culturais. Atualmente, temos um grupo formado pela Faculdade de História com dez pesquisadores, entre alunos bolsistas e professores para desenvolver este estudo”, conta Dário Benedito. 

O trabalho começou em 2018 e deve ser concluído em breve. “O próximo passo é fazer um registro audiovisual de 50 minutos, contando cada parte desta celebração da Marujada, para que esta festa seja reconhecida como patrimônio imaterial cultural do Brasil”, finaliza.


 
 

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