Na última semana, praias do nordeste do Pará, incluindo a famosa praia do Atalaia, em Salinópolis, têm enfrentado a invasão de algas marinhas da espécie Sargaço. O fenômeno, que ocorre com maior intensidade em algumas regiões litorâneas, trouxe desafios para o município, um dos destinos turísticos mais procurados da região Norte. A praia do Atalaia, que já é um dos balneários mais populares de Salinópolis, foi uma das mais afetadas, com grande quantidade de algas acumulando-se na faixa de areia.
Recentemente, a limpeza das praias de Atalaia e outras áreas de Salinópolis foi concluída com sucesso. A operação, que envolveu o apoio de duas caçambas e um trator, retirou toneladas de sargaço das praias. De acordo com a prefeitura de Salinópolis e o governo do Pará, caminhões carregados de algas foram utilizados para a remoção, porém o número exato de toneladas retiradas não foi divulgado. O Sargaço, uma alga marinha do gênero Sargassum, flutua na superfície do oceano e pode formar grandes massas que se deslocam com as correntes marítimas, chegando a invadir as praias.
Embora o Sargaço desempenhe um papel ecológico importante ao servir de abrigo e alimento para várias espécies marinhas, como peixes e tartarugas, sua presença em grandes quantidades pode representar um problema ambiental. De acordo com o biólogo e doutor em oceanografia, Edson Vasconcelos, Salinópolis, devido à sua localização geográfica mais ao litoral, tende a receber uma maior quantidade dessa biomassa, o que resulta em um impacto mais visível para a população local. O professor ainda observa que outras localidades, como Marudá e Ajuruteua, também foram afetadas, embora em menor proporção.
O Sargaço está sendo monitorado e estudado por pesquisadores do consórcio internacional "Weeds of Change", formado por países como França, Holanda, México e Brasil. O estudo busca entender os padrões de crescimento e as dinâmicas de encalhe das algas nas diversas regiões litorâneas. Além disso, o professor Edson Vasconcelos destaca que um dos objetivos do estudo é sensibilizar a população sobre os riscos do contato direto com o sargaço. Quando o material começa a se decompor, ele pode liberar substâncias que causam problemas respiratórios, irritações nas mucosas nasais e até dores de cabeça. Por isso, é essencial que a população tenha cuidado ao se aproximar da alga, seja no mar ou nas áreas de areia.
De acordo com o biólogo, o aumento da biomassa de Sargaço pode ser influenciado por uma série de fatores ambientais, como a poeira do Saara, fenômenos climáticos como El Niño e La Niña, e atividades humanas, como o aumento do uso de fertilizantes, desmatamento e queimadas. Embora a região amazônica não seja propensa ao desenvolvimento de Sargaço devido às características do oceano, é importante acompanhar o fenômeno para evitar riscos relacionados à introdução de espécies exóticas na região.
Apesar de não ser uma ameaça imediata, Edson alerta para os possíveis impactos ecológicos da alga, caso ela comece a se desenvolver na região. "Se o Sargaço crescer na Amazônia, será uma alga exótica, que pode trazer animais invasores com potencial para modificar a dinâmica ecossistêmica local", destaca o pesquisador. Esse fenômeno natural, que ganhou atenção internacional, continua sendo monitorado para entender melhor suas causas e seus efeitos no ambiente marinho e nas comunidades locais.
Com informações do G1.