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12/01/2020 às 10h51min - Atualizada em 12/01/2020 às 10h51min

Olympia exibe o longa “Um Dia Qualquer” com direção de Líbero Luxardo

Durante a programação haverá também uma homenagem ao ator Cláudio Barradas

Agência Belém
com edição do belem.com.br
Cenas do filme dirigido por Líbero Luxardo
 
 
  Para marcar as comemorações dos 404 anos de fundação de Belém, o Cinema Olympia, considerado o mais antigo do Brasil, exibe logo mais às 16h30, o longa metragem “Um Dia Qualquer”, direção de Líbero Luxardo.
Durante o evento haverá uma homenagem ao ator paraense Cláudio Barradas, 90, que trabalhou como ator nos quatro filmes de ficção que Luxardo dirigiu no Pará.

Um Dia Qualquer - O filme “Um Dia Qualquer”, direção do paulista Líbero Luxardo, foi lançado em Belém, em 1965, e tem 100 minutos de duração.
A trama se passa durante 24 horas em uma Belém ainda provinciana. Carlos (Hélio Castro) vaga pela cidade, após a morte da esposa (Lenira Guimarães), relembrando lugares que eles frequentavam e conhecendo outros ainda ignorados, em uma relação de incompreensão e desespero, com a perda da mulher impulsionando Carlos à perda de si próprio.

A trajetória de Carlos passa pelo cemitério da Soledade, segue para a praça Batista Campos, onde ele ajuda um homem que está sendo ultrajado pelos transeuntes, porque proclama que o fim do mundo está próximo; acompanha um ‘rato d´água’ que rouba peças em prata da igreja do Carmo; passa pelo Ver-o-Peso, na véspera do dia de São João, onde a cantora lírica paraense Marina Monarcha canta uma canção de Waldemar Henrique para vender os produtos típicos da feira.

Carlos ainda passará por um terreiro de umbanda no bairro da Pedreira; relembra a aventura de uma moça da ‘sociedade paraense’ que se encanta com um turista americano e faz um strip-tease para ele, em um igarapé, às margens da estrada que leva a Mosqueiro.

O personagem principal do longa também se recorda de uma festa na antiga boate Maloca, na qual as atrações são o cantor Alípio Martins e o violonista Sebastião Tapajós, mas que também tem espaço para uma cena muito difícil para outra jovem da ‘sociedade paraense’.

O filme se encaminha para o final, em uma cena trágica, que teve, antes, o boi Malhadinho, do bairro do Guamá, em uma apresentação na praça da República.

Luxardo - Líbero Luxardo nasceu em Sorocaba (SP), em 5 de novembro de 1908, e morreu em Belém, em 2 de novembro de 1980, vítima de câncer de próstata. Ele foi diretor, produtor, roteirista, jornalista, escritor, político e professor, que fez sucesso no cinema paraense e foi um dos pioneiros do cinema na Amazônia.

No início da década de 1940, Luxardo veio para Belém, onde conheceu e trabalhou com o então governador do Estado, Magalhães Barata, produzindo documentários sobre o político. Essa relação com a política levou Líbero a se tornar deputado estadual, anos depois.

No Pará, Luxardo foi pioneiro na filmagem de cinejornais e longas com atores e técnicos paraenses. Seus filmes exaltavam a cultura do Pará, não só por meio do elenco, quase que exclusivamente paraense, como também pela trilha sonora dos filmes, que utilizava obras de compositores locais, como o maestro Waldemar Henrique e o compositor Paulo André Barata.

Os filmes de Líbero Luxardo são de extrema importância para o cinema brasileiro, uma vez que, foram os primeiros longas metragens realizados no Pará, e fazem parte do acervo do Museu da Imagem e do Som do Estado do Pará (MIS-PA), sendo o mais importante patrimônio cinematográfico do Estado.
Luxardo também dirigiu os longas de ficção, pela ordem, “Marajó - Barreira do Mar”, “Um Diamante e Cinco Balas” e “Brutos Inocentes”, este, o único colorido.

Em 1986, foi inaugurado o Cine Líbero Luxardo, no térreo do prédio do Centur, em homenagem ao cineasta.

Barradas - Antes da exibição de “Um Dia Qualquer”, no domingo, haverá uma homenagem ao ator paraense Cláudio Barradas, que atuou em quatro longas metragens, sob a direção de Líbero Luxardo.



Ele é um pai de santo em “Um Dia Qualquer”; um vaqueiro falastrão em “Marajó - Barreira do Mar”; um peão em “Um Diamante e Cinco Balas”; e um padre em “Brutos Inocentes”.

Barradas tem formação de ator em teatro, e atuou em várias peças teatrais em Belém. Foi também professor em algumas escolas, como na antiga Escola Técnica Federal do Pará. Aos 13 anos, ele entrara para um seminário, mas o abandonou para ser ator. Muitos anos depois, Barradas voltou-se à religião, se consagrando padre, função na qual atua em algumas paróquias de Belém, hoje com 90 anos de idade.

Serviço: Exibição do filme “Um Dia Qualquer”, direção de Líbero Luxardo, e homenagem ao ator paraense Cláudio Barradas, programação do aniversário de 404 anos de Belém, domingo, 12, às 16h30, no Cinema Olympia (avenida Presidente Vargas). Entrada gratuita.

 

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