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18/01/2020 às 09h00min - Atualizada em 18/01/2020 às 09h00min

Sespa desenvolve projeto inédito de combate à dengue em condomínios

Dois condomínio aderiram ao projeto de pesquisa. Um em Ananindeua e outro em Belém.

Sespa
Com edição do belem.com.br
Agentes da Sespa visitam as casas dos condôminos (Foto: Jader Paes - Agência Pará)
 
 
  A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) prosseguiu, na última quinta-feira, 16, no condomínio Aspha Ville, em Ananindeua, a mais uma fase do Projeto de Instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDs) para o combate ao mosquito da dengue, iniciado em setembro de 2019 simultaneamente em um condomínio de Belém, o Cidade Jardim II.

Durante a ação no Aspha Ville, foram verificadas a quantidade de água e de larvicida de cada uma das 33 estações e completaram conforme a necessidade.

Trata-se do andamento desse primeiro projeto feito por uma Secretaria de Saúde, pois os projetos de estações disseminadoras têm sido realizados por instituições de pesquisa como a Fundação Oswaldo Cruz, que instalou EDs em 17 Estados, só que o Pará nunca foi contemplado.

O objetivo é diminuir os focos de mosquitos transmissores da dengue, zika e chikungunya, já que a estação ajuda a impedir que o mosquito nasça. É uma ação complementar.

Com duração de um ano, o trabalho está sendo desenvolvido pela Coordenação do Programa Estadual de Controle da Dengue e pela Divisão de Entomologia do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA), com apoio das Secretarias Municipais de Saúde de Belém (Sesma) e Ananindeua (Sesau).
 
Para a instalação e observação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDs), foram selecionados o condomínio Cidade Jardim II, na capital paraense, onde foram instaladas 55 estações, e o Aspha Villee, com 33 estações. Nas duas localidades, os moradores assinaram um termo de adesão ao projeto.
 
São confeccionadas com um recipiente de plástico, um pedaço de pano, água e 5g do larvicida Pyriproxyfen. O larvicida em pó é diluído na água até formar uma pasta, que é aplicada sobre o pano fixado ao recipiente com água.

O objetivo é que o mosquito, ao pousar no pano, fique com o larvicida nas patas, levando-o para os criadouros. O produto age sobre as larvas, que mesmo que cheguem à fase de pupa, não se transformam em mosquitos capazes de se reproduzir. Além disso, o Pyriproxyfen afeta o mosquito já desenvolvido, diminuindo a sua capacidade de pôr ovos e fazendo com que, dos que são depositados, 80% não cheguem a se transformar em larva.

“É um projeto inovador, já realizado em outros Estados e com bons resultados. A Sespa é a primeira Secretaria Estadual de Saúde no Brasil que coordena essa iniciativa, pois em outros lugares a gerência era de institutos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)”, explica a coordenadora da Divisão de Entomologia do Lacen/PA, Paoola Vieira. Segundo ela, para a realização da ação, é importante manter o diálogo e o apoio dos moradores durante todo o ano.



O aposentado Iran Santos, morador do condomínio em Ananindeua, aprova a iniciativa. “É uma questão de política de saúde, que deve ser desenvolvida para o bem estar do povo. Por isso, concordamos com essa ação. Também precisamos tomar cuidados pessoais com essas doenças”, observa.

A coordenadora do Programa Estadual contra Dengue, Febre Chikungunya e Zika vírus, Aline Carneiro, explica que, antes da instalação das EDs, foi feita uma coleta de ovos do Aedes Aegypti para estabelecer uma medida inicial. Essa quantidade será comparada aos resultados das próximas coletas, que será realizada em fevereiro. “Nossas equipes vêm a cada 15 dias verificar o nível de água e reaplicar o larvicida. É importante que seja feito o acompanhamento durante todo o ano, observando fatores como mudança de clima e a própria localização da residência”, diz.

Resultados - A expectativa é que o resultado positivo ao fim do primeiro ano possibilite a instalação das estações em outros municípios. “Esperamos reduzir a quantidade de ovos do mosquito em pelo menos 60%. Então teremos mais dados para ir a outras localidades com economia de tempo e recursos”, ressalta Aline Carneiro.

Cuidado constante – Mesmo com o trabalho das ED’s, a coordenadora enfatiza que a população precisa continuar com os cuidados em casa. “As estações são uma parte do trabalho conjunto que precisa ser feito permanentemente no combate ao Aedes aegypti, ainda mais em períodos chuvosos”, enfatiza.

 
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