Em meio às águas do Rio Amazonas, no coração do arquipélago do Marajó (PA), uma iniciativa inédita está transformando a vida de centenas de famílias agroextrativistas da comunidade ribeirinha da Ilha das Cinzas. A partir desta semana, a região passa a contar com uma agroindústria sustentável, movida por energia solar e equipada com sistema de armazenamento em baterias, graças a uma parceria entre a empresa de cosméticos Natura, a fabricante de equipamentos elétricos WEG e a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC).
A unidade produtiva é a primeira do tipo a operar em área de várzea da região amazônica — local que enfrenta alagamentos periódicos. O novo modelo energético, baseado em sistema fotovoltaico off-grid com armazenamento BESS (Battery Energy Storage System), reduz drasticamente o uso de geradores a diesel e garante energia mesmo em dias nublados ou durante a noite. A mudança deve beneficiar diretamente 470 famílias agroextrativistas, promovendo autonomia energética, sustentabilidade e fortalecimento da bioeconomia regional.
"A inauguração da agroindústria operada com energia solar concretiza nossa estratégia de impulsionar negócios, de menor impacto ambiental, alinhados às metas de zerar emissões líquidas de carbono até 2030 e de transformar toda a operação da Natura em regenerativa até 2050. É também uma maneira de fortalecer nosso plano de industrialização sustentável na Amazônia e reconhecer o protagonismo das comunidades tradicionais na conservação da floresta em pé", afirma Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura.
Com a nova estrutura, a ATAIC passa a processar óleos e manteigas diretamente na comunidade — produtos com maior valor agregado que as sementes e amêndoas vendidas anteriormente. Isso representa um aumento de até 60% na renda das famílias locais, além de estimular a participação de mulheres e jovens no processo produtivo. “O complexo funciona como um laboratório de tecnologias sociais. Com essa iniciativa, a ATAIC reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, o fortalecimento das comunidades tradicionais e a manutenção da floresta em pé”, destaca Francisco Malheiros, presidente da associação.
A parceria institucional entre Natura e WEG é um marco no avanço da sociobioeconomia brasileira. A Natura atuou na articulação com parceiros e no suporte técnico, enquanto a WEG forneceu o sistema fotovoltaico e contou com a W-Energy na execução da instalação. Além disso, as duas empresas capacitaram moradores da Ilha das Cinzas para operar e manter o sistema, promovendo autonomia local e sucessão geracional.
Para a WEG, a iniciativa é também um exemplo de como soluções tecnológicas podem contribuir com a transição energética em regiões isoladas. “Com esta iniciativa, a WEG demonstra na prática como suas soluções contribuem para a transição energética, oferecendo um modelo replicável para outras regiões da Amazônia e comunidades isoladas. Além disso, gerar valor agregado e promover o desenvolvimento da comunidade local tornam esse trabalho ainda mais especial para nós", afirma Daniel Godinho, diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da empresa.
A inauguração acontece em um momento estratégico: às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA). O projeto é visto como um exemplo prático do potencial da bioeconomia amazônica para gerar desenvolvimento com conservação, alinhando inovação, justiça social e respeito ao meio ambiente — princípios fundamentais para o futuro sustentável da região.