A cidade de Igarapé-Miri, no Pará, vive um momento de tensão religiosa após a publicação de um vídeo polêmico por um pastor evangélico durante o tradicional Círio de Sant’Ana. No vídeo, Wilckson Almeida Castro critica a veneração à imagem da padroeira da cidade, gerando indignação entre os fiéis católicos. A Paróquia de Sant’Ana e a OAB-PA emitiram notas de repúdio, acusando o pastor de intolerância religiosa e desrespeito à fé da comunidade.
Um vídeo polêmico publicado no último sábado (19) acendeu o alerta sobre os limites da liberdade religiosa em Igarapé-Miri, no nordeste do Pará. O autor das imagens, o pastor evangélico Wilckson Almeida Castro, da Assembleia de Deus da vila de Maiauatá, critica abertamente a veneração à imagem de Sant’Ana, padroeira da cidade. As declarações, feitas durante a celebração do Círio de Sant’Ana, provocaram forte reação pública e institucional.
No conteúdo divulgado, o pastor afirma que viu "pessoas de idade no sol, adorando um Deus que tem boca e não fala", referindo-se à imagem da santa. Ele ainda contrapõe a fé católica com a evangélica, dizendo esperar que “um dia o povo chegue a essa verdade”. As palavras, consideradas ofensivas pelos católicos, viralizaram nas redes sociais e geraram indignação entre fiéis, lideranças e instituições.
A Paróquia de Sant’Ana reagiu com veemência, emitindo nota de repúdio ao vídeo. A igreja classificou as declarações como um ataque à fé da comunidade e lembrou que a veneração aos santos não é idolatria, mas parte da tradição cristã. Além disso, a paróquia denunciou a exposição não autorizada de menores, integrantes de um projeto social local, no vídeo do pastor.
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará também se posicionou, denunciando possível prática de intolerância religiosa, amparada no artigo 20 da Lei 7.716/89. A entidade pediu que o Ministério Público e a Polícia Civil investiguem o caso e adotem as medidas legais cabíveis.
O episódio trouxe à tona discussões sobre o respeito entre credos e a importância da convivência inter-religiosa. O Círio de Sant’Ana é celebrado há mais de 300 anos e constitui um dos maiores eventos religiosos do Baixo Tocantins. Para os moradores, mais do que uma festa, representa identidade cultural, fé e resistência. A festividade envolve milhares de pessoas em procissões terrestres e fluviais, movimentando também a economia local e o turismo religioso.
Enquanto aguardam desdobramentos legais, os fiéis seguem com a programação religiosa, agora marcada não só pela devoção, mas também por um apelo à tolerância e ao diálogo entre religiões.
Com informações do G1 Pará.