As secas severas que atingiram a Amazônia em 2024 provocaram impactos diretos na educação e levaram mais de 436 mil estudantes a enfrentar interrupções nas aulas, segundo o Unicef. Em municípios que dependem dos rios como principal via de acesso, embarcações ficaram presas nos bancos de areia, motores quebraram e comunidades inteiras ficaram isoladas. Especialistas afirmam que o fenômeno está relacionado às mudanças climáticas e ao aumento das temperaturas na região.
No Pará, a situação foi particularmente grave em Porto de Moz, onde professores precisaram alterar rotinas, remar por trechos secos e adotar aulas remotas para garantir o calendário escolar. Segundo relatos da comunidade, o calor intenso dentro das salas de aula tornou-se mais um desafio, já que muitas escolas não têm ventilação suficiente e chegam a interromper atividades para que os alunos se abriguem na sombra.
O Unicef aponta que mais de 1.700 escolas da Amazônia ficaram inacessíveis este ano devido à combinação entre seca histórica, queimadas e baixa navegabilidade dos rios. Crianças ribeirinhas, indígenas e quilombolas são as mais afetadas, já que dependem diretamente das condições ambientais para acessar direitos básicos.
As secas extremas que atingiram a Amazônia em 2024 alteraram diretamente o funcionamento de escolas em toda a região e comprometeram o acesso à educação de mais de 436 mil estudantes, segundo levantamento do Unicef. Entre rios secos, calor acima da média e longos deslocamentos interrompidos, municípios inteiros foram obrigados a adotar aulas remotas, reorganizar calendários e enfrentar prejuízos estruturais.
No Pará, o impacto é evidente. Em cidades como Porto de Moz, onde grande parte da população depende dos rios para se deslocar, embarcações usadas no transporte escolar ficaram presas em bancos de areia ou sofreram quebras constantes devido ao baixo nível das águas. A situação, segundo professores e técnicos municipais, tornou-se rotina no verão amazônico, período mais crítico entre julho e novembro.
O Unicef estima que, além dos estudantes afetados, mais de 1.700 escolas e 760 unidades de saúde da Amazônia ficaram inacessíveis ou fechadas em 2024 por causa dos baixos níveis de água. O problema se agrava com a combinação de queimadas, chuvas irregulares e temperaturas extremas, fenômenos que especialistas consideram consequência direta das mudanças climáticas.
Em Porto de Moz, relatos apontam que alunos e professores chegam a caminhar longos trechos, remar por igarapés rasos e enfrentar calor intenso em salas sem ventilação ou climatização. De acordo com educadores da região, ambientes superaquecidos prejudicam o rendimento e obrigam turmas inteiras a ter aulas à sombra de árvores para aliviar a sensação térmica.
Representantes locais afirmam que a seca também compromete o abastecimento de água, a produção agrícola e a navegação — afetando, além da educação, outros direitos básicos das comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas. A vulnerabilidade das crianças preocupa especialistas, já que elas são mais sensíveis ao calor extremo e à contaminação da água e do ar.
Segundo análise do Unicef, o cenário amazônico reflete uma tendência global: em 2024, mais de 242 milhões de alunos no mundo tiveram aulas interrompidas por eventos climáticos. No Brasil, foram 1,17 milhão de crianças, com o dobro de dias letivos perdidos em relação a 2023.
Governos municipais e estaduais afirmam que estão ampliando ações emergenciais, como construção de pontes, abertura de canais, instalação de sistemas de tratamento de água e reforço do transporte escolar. No Pará, programas como o Some/Somei e a educação mediada por tecnologia têm sido alternativas para reduzir a defasagem em áreas remotas.