Projeto transforma vivências amazônicas em método educativo

Iniciativa usa sementes, sons e elementos da floresta para criar uma metodologia de educação pela arte em comunidades da Amazônia

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Projeto transforma vivências amazônicas em método educativo
Gil Sóter/G1 Pará
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O Paneiro Luminoso é um projeto que propõe uma nova forma de aprender a partir da Amazônia, utilizando sementes, folhas, texturas de troncos, água de igarapé e sons da floresta como dispositivos pedagógicos. Desenvolvido em parceria entre a Associação Fotoativa, de Belém, e a Maison de la Photographie Guyane-Amazonie, da Guiana Francesa, o trabalho percorreu mais de 30 localidades entre maio e setembro de 2025, oferecendo vivências em escolas públicas, comunidades quilombolas, aldeias indígenas e organizações sociais.

A metodologia dialoga com a Pedagogia da Luz, criada pelo fotógrafo e arte-educador Miguel Chikaoka. Segundo ele, o Paneiro Luminoso é um método em constante transformação, moldado pelas experiências e pelos materiais oferecidos por cada território visitado. A proposta convida participantes a perceber o ambiente antes de registrar uma imagem, valorizando processos sensoriais, afetivos e corporais como parte essencial da educação pela arte.

As atividades envolvem caminhadas sensoriais, exercícios de escuta, uso de pigmentos naturais, criação de câmeras obscuras com paneiros e produção de narrativas visuais feitas à mão. Não se trata de reproduzir técnicas tradicionais de fotografia, mas de estimular a relação entre ambiente, memória e imaginação.

Sementes, folhas, água de igarapé e sons da floresta se tornaram ferramentas educativas em um projeto que propõe novas formas de aprender a partir da Amazônia. Chamado Paneiro Luminoso, o trabalho desenvolve uma metodologia de educação pela arte e apresenta seus processos na exposição aberta na Associação Fotoativa, em Belém, até 13 de dezembro.

A mostra reúne vídeos, dispositivos sensoriais, imagens e objetos coletados em mais de 30 localidades visitadas entre maio e setembro de 2025. A proposta utiliza a fotografia não como técnica, mas como experiência: uma forma de perceber o território, o corpo e a memória a partir de elementos encontrados no próprio ambiente.

O método tem origem na Pedagogia da Luz, desenvolvida ao longo de quatro décadas pelo fotógrafo e arte-educador Miguel Chikaoka. Segundo ele, o Paneiro Luminoso se transforma em cada lugar visitado, já que depende da participação das comunidades e de suas próprias referências culturais.

As oficinas envolvem caminhadas sensoriais, uso de pigmentos naturais, criação de câmeras obscuras com paneiros, exercícios de observação e práticas de narrativa visual feitas à mão. Em vez de focar no equipamento, a proposta incentiva a “sensação antes da imagem”, conectando a fotografia a processos corporais e afetivos.

As atividades ocorreram em comunidades quilombolas e indígenas, escolas públicas, organizações sociais e assentamentos da região metropolitana de Belém e de outros municípios. Para Chikaoka, adaptar cada vivência ao contexto local é essencial, já que a educação pela arte precisa acompanhar os tempos e histórias de cada território.

A metáfora do paneiro orienta todo o percurso: cada comunidade entrega um conjunto de materiais, gestos e narrativas que são incorporados às oficinas e devolvidos como produção artística. No Pará, o projeto também dialogou com a Maleta Pedagógica desenvolvida na Guiana Francesa, mas foi adaptado para refletir a diversidade amazônica.

Na Fotoativa, o público encontra câmeras feitas com materiais simples, zines, objetos coletados, vídeos com relatos e experimentos que revelam como a arte pode nascer das relações entre corpo, ambiente e imaginação. Com curadoria de Claudia Leão e Paulo Meira, a exposição ainda conta com um hotsite que amplia o acesso de educadores e pesquisadores interessados em metodologias amazônicas.


FONTE: G1
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