Para muitas famílias, especialmente para as mulheres que são o arrimo de seus lares e a base de sustentação emocional de seus filhos, reconstruir a vida após a fúria das águas é uma tarefa que beira o insuportável. Como nas velhas narrativas de ficção científica em que o clima se torna o grande antagonista da humanidade, a força incontrolável da natureza alterou drasticamente a rotina no sudeste paraense. Para os moradores que viram a água invadir seus espaços e levar embora anos de conquistas, a sensação é de que um verdadeiro vendaval destrutivo passou, deixando a impressão amarga de que até a lua nos traiu diante de tanta vulnerabilidade. Contudo, como nos ensinam os versos sul-coreanos que costumam embalar os corações de quem busca consolo: nenhuma escuridão, nenhuma estação pode durar para sempre. A ajuda começou a chegar.
Nesta terça-feira, 10 de março de 2026, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por intermédio da Defesa Civil Nacional, reconheceu oficialmente a situação de emergência em Bom Jesus do Tocantins, no Pará, devido aos severos danos causados pelas inundações e fortes chuvas recentes. A medida não é apenas um trâmite burocrático; ela é a chave que destranca recursos fundamentais para a sobrevivência e a reconstrução do município.
As portarias que oficializam o reconhecimento — Portaria nº 740 (http://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-740-de-9-de-marco-de-2026-691382822 ), Portaria nº 741 (http://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-741-de-9-de-marco-de-2026-691481581 ) e Portaria n⁰ 743 (http://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-743-de-9-de-marco-de-2026-691483495 ) — foram publicadas hoje no Diário Oficial da União (DOU). Além da cidade paraense, municípios do Mato Grosso do Sul e de Pernambuco também entraram na lista de emergência pelas chuvas, enquanto localidades da Paraíba e de Sergipe foram reconhecidas por cenários opostos: a estiagem severa e a seca prolongada.
Com esse reconhecimento federal, a prefeitura de Bom Jesus do Tocantins ganha passe livre para solicitar verbas da União por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Esses recursos são vitais para o atendimento direto à população afetada, permitindo a compra de cestas básicas, água mineral, kits de higiene pessoal, produtos de limpeza e itens de dormitório para os desabrigados, além de garantir alimentação para os voluntários e trabalhadores da linha de frente.
O Alívio no Bolso: Liberação do FGTS
A emergência reconhecida também ativou um mecanismo essencial de proteção ao trabalhador. A Caixa Econômica Federal anunciou que, a partir desta quarta-feira, 11 de março, os moradores de Bom Jesus do Tocantins que possuem saldo em contas ativas ou inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) já poderão solicitar o Saque Calamidade.
Em momentos de crise aguda, a burocracia precisa dar lugar à eficiência. Por isso, a liberação será 100% digital. Os trabalhadores não precisarão se deslocar até uma agência bancária — algo muitas vezes impossível com as vias alagadas —, podendo fazer tudo pela tela do celular. O valor máximo permitido para retirada é de R$ 6.220,00 por conta vinculada, desde que o cidadão não tenha utilizado esse mesmo benefício por motivo de calamidade nos últimos 12 meses. O prazo para solicitar o resgate vai até o dia 08 de junho de 2026.
Para garantir que a informação chegue de forma clara e objetiva a quem mais precisa neste momento de dor, preparamos um guia prático de como acessar esse direito.
Serviço: Como solicitar o Saque Calamidade no App FGTS
Para dar entrada no pedido e ter o dinheiro creditado sem custos em qualquer conta bancária (inclusive na Poupança Digital do Caixa Tem), siga os passos:
1: Baixe o aplicativo FGTS (disponível para Android e iOS) e faça login com suas credenciais.
2: Na tela inicial, toque em “Solicitar seu saque 100% digital” ou vá em “Saques” no menu inferior e escolha “Solicitar saque”.
3: Selecione o motivo “Calamidade pública”, busque pelo nome de "Bom Jesus do Tocantins" e selecione a cidade.
4: Informe o seu CEP, endereço e anexe as fotos exigidas pelo sistema:
• Uma foto do seu documento de identidade (RG, CNH ou passaporte); • Uma _selfie_ segurando este mesmo documento perto do rosto; • Um comprovante de residência (conta de água, luz, internet, etc.) em seu nome, emitido até 120 dias antes da decretação da calamidade. • Indique a conta bancária onde deseja receber o dinheiro e finalize o envio. **Atenção:** Se o comprovante de residência estiver no nome do marido ou da esposa, basta anexar também a certidão de casamento ou união estável. Caso o trabalhador tenha perdido todos os documentos na enchente e não tenha um comprovante de residência salvo online, é possível apresentar uma declaração oficial da prefeitura atestando que ele mora na área atingida, ou até mesmo redigir uma declaração de próprio punho (que será posteriormente validada pela Caixa nos bancos de dados do Governo Federal).
A solidariedade e a informação correta são nossas melhores âncoras para atravessar tempestades. Cuidem-se e repassem essas orientações.
Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.