O Pará voltou a aparecer entre os estados com maior número de conflitos agrários e ambientais do Brasil, segundo relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Foram registrados 179 conflitos no campo, colocando o estado na segunda posição nacional, atrás apenas do Maranhão.
Os dados mostram avanço das disputas por terra, violência rural e conflitos ligados ao acesso à água. Ao todo, o Pará contabilizou 142 ocorrências fundiárias e liderou o ranking brasileiro de conflitos hídricos, com 21 registros relacionados à contaminação de rios, restrição de acesso à água e impactos provocados pelo garimpo ilegal.
O relatório também identificou casos de trabalho análogo à escravidão e mortes em conflitos agrários. Foram 44 trabalhadores resgatados e sete assassinatos registrados no estado ao longo do período analisado.
Segundo representantes da CPT, a situação evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção de comunidades rurais, indígenas e populações tradicionais. Já representantes do setor produtivo afirmam que a falta de regularização fundiária contribui para ampliar a insegurança jurídica e alimentar disputas territoriais.
O cenário ganha ainda mais atenção em meio à preparação de Belém para sediar a COP 30, conferência climática da ONU marcada para 2026, ampliando o debate sobre preservação ambiental, desenvolvimento econômico e direitos territoriais na Amazônia.
O Pará voltou a figurar entre os estados com maior número de conflitos no campo no Brasil, segundo relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O levantamento aponta que o estado registrou 179 ocorrências ligadas a disputas agrárias, ambientais e trabalhistas, consolidando um cenário de tensão no meio rural mesmo às vésperas da realização da COP 30, marcada para novembro de 2026, em Belém.
Os dados revelam que o Pará ocupa a segunda posição nacional em conflitos no campo, atrás apenas do Maranhão. A maior parte das ocorrências está relacionada à disputa por terra: foram 142 registros envolvendo posse, ocupação e uso de territórios rurais. Municípios como Santarém, São Félix do Xingu, Altamira, Viseu e Barcarena aparecem entre as áreas com maior concentração de casos.
O relatório também mostra que o estado lidera o ranking nacional de conflitos pela água, com 21 registros ligados principalmente à contaminação de rios, restrição de acesso a recursos hídricos e impactos provocados por atividades ilegais, como o garimpo clandestino.
Além das disputas territoriais e ambientais, o documento aponta a permanência de casos de trabalho análogo à escravidão. No Pará, 44 trabalhadores foram resgatados em 13 ocorrências identificadas em atividades ligadas à pecuária, extração de madeira, carvoarias e lavouras.
A violência no campo também aparece nos indicadores de mortes e ameaças. Segundo o levantamento, sete pessoas foram assassinadas em conflitos agrários no estado, colocando o Pará entre os líderes nacionais em homicídios relacionados à disputa por terra. O relatório contabiliza ainda ameaças de morte, tentativas de assassinato e pessoas feridas durante confrontos rurais.
Representantes de comunidades rurais relatam que ameaças, intimidações e invasões armadas continuam fazendo parte da rotina em áreas de disputa fundiária. Em diversas regiões, moradores afirmam conviver com insegurança constante diante da presença de grupos ligados à ocupação irregular de terras.
Para entidades ligadas à defesa dos trabalhadores rurais, o cenário evidencia a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de proteção social, fiscalização ambiental e mediação de conflitos agrários. Segundo representantes da CPT, o enfrentamento da violência rural depende de ações estruturais que envolvam regularização territorial, presença do Estado e garantia de direitos às populações tradicionais, indígenas e assentadas.
Do outro lado, integrantes do setor produtivo defendem que a falta de regularização fundiária é um dos principais fatores que alimentam os conflitos na Amazônia. O senador Zequinha Marinho afirmou que a ausência de titulação definitiva gera insegurança jurídica, dificulta o acesso ao crédito rural e amplia disputas sobre áreas produtivas e unidades de conservação.
O parlamentar também destacou que projetos em discussão no Congresso buscam criar mecanismos para acelerar a regularização de propriedades rurais na Amazônia Legal. Segundo ele, a medida poderia reduzir conflitos e fortalecer a responsabilização em casos de crimes ambientais.
Enquanto o debate avança entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e direitos territoriais, os números mostram que o Pará segue no centro das discussões sobre violência agrária no Brasil — justamente em um momento em que o estado tenta consolidar internacionalmente uma imagem associada à sustentabilidade e à proteção da Amazônia.
Panorama dos conflitos no Pará