Empresas passam a adotar medidas contra assédio e estresse no trabalho no Pará

Atualização da NR-1 obriga empresas a prevenir estresse, burnout e pressão excessiva no ambiente de trabalho

Por
3 Min

Empresas passam a adotar medidas contra assédio e estresse no trabalho no Pará
Canva
RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA
Clique aqui para Ler o Resumo

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor nesta terça-feira (26), passa a exigir que empresas incluam a saúde mental entre os fatores obrigatórios de prevenção no ambiente de trabalho. A mudança impacta diretamente mais de 1,3 milhão de trabalhadores formais no Pará.

Com a nova regra, empresas precisarão identificar e combater riscos psicossociais, como assédio moral, pressão excessiva, metas abusivas, jornadas prolongadas e sobrecarga de tarefas. A medida integra oficialmente esses fatores ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento obrigatório das políticas de segurança ocupacional.

Segundo especialistas, a atualização busca reduzir casos de burnout, ansiedade, depressão e afastamentos relacionados ao ambiente profissional. Entre as medidas previstas estão pesquisas internas, canais de denúncia, treinamento de lideranças e revisão das condições de trabalho.

Setores como mineração, logística, agronegócio, construção pesada, saúde e segurança pública aparecem entre os mais vulneráveis aos impactos emocionais provocados pela pressão no trabalho.

O descumprimento das novas exigências poderá gerar multas, autuações e até responsabilização judicial para empresas que negligenciarem situações de adoecimento mental ligadas ao ambiente corporativo.

A saúde mental passou oficialmente a integrar as políticas obrigatórias de segurança no trabalho no Brasil. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor nesta terça-feira (26), amplia a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem causar adoecimento emocional e psicológico nos ambientes profissionais. No Pará, a mudança deve impactar diretamente mais de 1,3 milhão de trabalhadores com carteira assinada.

A nova regra, aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), determina que empresas passem a identificar, monitorar e prevenir os chamados riscos psicossociais, como assédio moral, pressão excessiva, metas abusivas, jornadas prolongadas, sobrecarga de tarefas e situações que favoreçam estresse crônico e burnout.

Na prática, o tema deixa de ser tratado apenas como uma questão interna de gestão e passa a integrar oficialmente os programas obrigatórios de segurança ocupacional das empresas.

A atualização altera o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento exigido das empresas para prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. Até então, o foco principal estava voltado a riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. Agora, os fatores ligados à saúde emocional também entram na lista de obrigações patronais.

Segundo especialistas da área de recursos humanos e segurança do trabalho, a mudança acompanha o aumento dos casos de ansiedade, depressão e afastamentos relacionados ao ambiente profissional registrados nos últimos anos em todo o país.

A diretora de RH da Sólides, Távira Magalhães, explicou que a atualização reforça a necessidade de empresas criarem ambientes mais saudáveis e menos adoecedores. Segundo ela, a inclusão dos riscos psicossociais obriga as organizações a adotarem medidas preventivas contínuas, em vez de agir apenas depois do surgimento de casos graves.

Entre as ações que poderão ser exigidas estão a aplicação de pesquisas internas sobre clima organizacional, acompanhamento de afastamentos, criação de canais de denúncia, treinamento de lideranças e revisão de jornadas excessivas ou metas consideradas abusivas.

A norma vale para praticamente todas as empresas que possuem trabalhadores contratados pela CLT, independentemente do porte ou setor econômico.

No Pará, áreas como mineração, logística, agronegócio, construção pesada, saúde, segurança pública e atendimento ao público aparecem entre os setores considerados mais vulneráveis ao desgaste emocional dos trabalhadores, principalmente por envolverem alta pressão operacional e longas jornadas.

Especialistas alertam que o descumprimento da nova norma poderá gerar multas, autuações administrativas e até responsabilização judicial em situações relacionadas ao adoecimento mental causado pelo ambiente de trabalho.

Além disso, trabalhadores poderão formalizar denúncias por meio de sindicatos, Ministério Público do Trabalho, auditoria fiscal e canais internos das empresas quando identificarem situações que coloquem sua saúde emocional em risco.

A expectativa do governo federal é que a atualização da NR-1 ajude a reduzir afastamentos, melhorar as condições de trabalho e fortalecer políticas de prevenção dentro das empresas brasileiras.


FONTE: G1
Tags »
Notícias Relacionadas »