Vendas do comércio têm maior queda em quase quatro anos

Recuo de 1,5% em abril interrompe sequência de altas e reflete impacto dos combustíveis sobre o consumo das famílias

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Vendas do comércio têm maior queda em quase quatro anos
Rovena Rosa/Agência Brasil
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O comércio varejista brasileiro registrou queda de 1,5% em abril de 2026, segundo levantamento divulgado pelo IBGE. O resultado interrompe três meses consecutivos de crescimento e representa o pior desempenho mensal do setor desde junho de 2022.

A principal influência negativa veio do segmento de combustíveis e lubrificantes, que recuou 6,2% no período. A alta dos preços internacionais do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, contribuiu para reduzir o consumo e impactar a atividade comercial.

Outros setores também registraram retração, como artigos de uso pessoal, informática, móveis, eletrodomésticos e vestuário. Em contrapartida, supermercados e papelarias apresentaram crescimento, amenizando parte das perdas.

Mesmo com a queda mensal, o comércio ainda acumula alta de 1,5% nos últimos 12 meses. Os dados indicam que o consumo das famílias segue sendo influenciado pelos custos de itens essenciais, especialmente combustíveis, que afetam diretamente o orçamento doméstico e a circulação de recursos na economia.

O desempenho do comércio contrasta com os resultados positivos observados recentemente na indústria e no setor de serviços, mostrando que a recuperação econômica ocorre de forma desigual entre os diferentes segmentos do país.

O comércio varejista brasileiro registrou uma retração de 1,5% em abril de 2026, na comparação com março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (16). O resultado interrompe uma sequência de três meses consecutivos de crescimento e representa a maior queda mensal do setor desde junho de 2022.

A desaceleração foi puxada principalmente pelo segmento de combustíveis e lubrificantes, que apresentou recuo expressivo de 6,2%, refletindo os impactos das oscilações nos preços internacionais de energia. O movimento ocorreu em um cenário marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que vêm pressionando o mercado global de petróleo e afetando diretamente os custos para consumidores e empresas.

Apesar da queda mensal, os números mostram que o setor ainda mantém desempenho positivo em períodos mais amplos. Na comparação com abril de 2025, o comércio apresentou crescimento de 1%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses aponta expansão de 1,5%.

Combustíveis lideram retração

Entre os oito segmentos analisados pela Pesquisa Mensal de Comércio, seis registraram resultados negativos. Além de combustíveis e lubrificantes, apresentaram retração:

  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -4,6%;
  • Equipamentos de informática e comunicação: -4,5%;
  • Móveis e eletrodomésticos: -0,8%;
  • Tecidos, vestuário e calçados: -0,1%;
  • Produtos farmacêuticos e perfumaria: -0,1%.

O desempenho dos combustíveis teve peso significativo sobre o resultado geral do varejo. O setor é considerado um importante termômetro da atividade econômica, pois influencia diretamente custos de transporte, logística e consumo.

Supermercados ajudam a reduzir perdas

Nem todos os segmentos tiveram desempenho negativo. O grupo de hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo, responsável por mais da metade do peso do comércio nacional, avançou 1,3% no período.

Também registrou crescimento o setor de livros, jornais, revistas e papelaria, que teve alta de 1,1%.

O resultado desses segmentos ajudou a reduzir parte das perdas observadas em outras atividades, mas não foi suficiente para impedir o recuo geral do varejo.

Comércio ampliado também perde força

No chamado varejo ampliado, que inclui vendas de veículos, motocicletas, materiais de construção e atacado de alimentos, a queda foi de 0,7% em abril.

Ainda assim, o indicador segue acumulando alta de 1,8% nos últimos 12 meses, mostrando que a atividade econômica mantém trajetória positiva em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Economia mostra sinais mistos

Os números do comércio contrastam com outros indicadores divulgados recentemente pelo IBGE. A indústria brasileira registrou crescimento de 0,7% em abril, acumulando quatro meses seguidos de expansão.

Já o setor de serviços avançou 1,2%, encerrando uma sequência de cinco meses sem crescimento.

O cenário indica uma economia com comportamentos distintos entre os setores. Enquanto indústria e serviços demonstram sinais de recuperação, o comércio sente mais diretamente os efeitos da inflação em itens essenciais e das oscilações nos preços internacionais de combustíveis.

O que os dados indicam

Especialistas avaliam que o desempenho de abril reforça a sensibilidade do consumo às variações de preços e ao custo de vida das famílias. O aumento das despesas com transporte e combustíveis tende a reduzir o orçamento disponível para outros tipos de compras, afetando especialmente segmentos ligados ao consumo discricionário.

Mesmo com a retração pontual, os indicadores acumulados mostram que o comércio ainda opera próximo de seus níveis históricos mais elevados. O desafio para os próximos meses será acompanhar a evolução dos preços da energia, da inflação e das condições de crédito, fatores que podem influenciar diretamente o comportamento do consumidor brasileiro.


FONTE: Agência Brasil
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