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13/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 13/03/2020 às 08h00min

Inverno amazônico traz sinal de alerta contra a Leishmaniose

A doença é infecciosa e grave, causada por um protozoário de espécie Leishmania chagasi

Assessoria de Comunicação da Unama
Com edição do belem.com.br
A doença é caracterizada como uma zoonose, sendo mais comum em animais, como cães e gatos (Foto: Freepik)
     
O clima úmido, acúmulo de lixo e fezes de animais em ambientes externos, como quintais, por exemplo, são ambientes propícios para a proliferação do protozoário da Leishmaniose. O motivo é que o principal vetor prefere ambientes úmidos com farto material orgânico. A doença é caracterizada como uma zoonose, sendo mais comum em animais, como cães e gatos, podendo vir a ser transmitida ao homem. Em fase crônica, se não tratada, 90% dos casos levam ao óbito.
 
A doença é infecciosa e grave, causada por um protozoário de espécie Leishmania chagasi. De acordo coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Universidade da Amazônia (Unama), Lilian Ximenes, existem – em média – 30 tipos de protozoários do gênero leishmania, sendo possível desencadear dois tipos da doença: a tegumentar ou cutânea e a visceral ou calazar, tipo mais grave – podendo atacar os órgãos internos.
 
"A transmissão acontece quando fêmeas do mosquito palha – também popularmente conhecido como asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros – picam os animais. Na área rural, as raposas e os marsupiais são os mais propícios a desenvolver a doença. No espaço urbano, os cães são os mais atingidos. Os sintomas aparecem como perda de pelo e peso, anorexia, em alguns casos, além do crescimento anormal das unhas", explicou Lilian, que também é doutora em Ciência Animal.
 
Nos humanos, a doença tem diagnóstico difícil por ter similaridade a outras enfermidades, como a doença de chagas, a malária e a tuberculose. Em geral, os indivíduos apresentam febre de longa duração; aumento do fígado e baço; perda de peso; fraqueza; redução da força muscular e anemia.
 
A principal prevenção ocorre no combate ao mosquito. Essa ação se inicia pela higiene ambiental. É necessária uma limpeza periódica dos quintais, com atenção à matéria orgânica, como folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos. Deve ainda entrar na lista a limpeza diária dos abrigos de animais domésticos (casinhas, caminhas) e utilizar inseticida nas paredes de domicílios e abrigos de animais.
 
Atualmente, existe uma vacina de combate à doença. "Nós temos antileishmaniose visceral canina em comercialização no Brasil. Entretanto, não existem estudos que comprovem a efetividade do uso dessa vacina na redução da incidência da leishmaniose visceral em humanos. Dessa forma, o seu uso está restrito à proteção individual dos cães e não como uma ferramenta de saúde pública", lembra a coordenadora.
 
Vale ressaltar o que a leishmaniose tem tratamento, sendo gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nos casos confirmados em animais, a eutanásia é a recomendação nacional dada aos centros de zoonoses.

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