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28/04/2020 às 10h18min - Atualizada em 28/04/2020 às 10h18min

Belém tem novas medidas para enfrentar a pandemia da Covid-19

O coronavírus já está provocando um colapso nos hospitais públicos e privados de Belém

Agência Belém
Com edição do belem.com.br
O comércio não essencial deve se manter fechado em Belém (Foto: João Gomes/ Agência Belém)
    
Na manhã desta segunda-feira (27), o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, realizou live através de rede social, para anunciar as novas medidas que a capital paraense deve adotar, para impedir a propagação do novo Coronavírus, que já está provocando um colapso nos hospitais públicos e privados de Belém.

As medidas mais restritivas para o funcionamento de atividades na cidade estão descritas no decreto que já está publicado no Diário Oficial do Município (clique aqui).

O prefeito Zenaldo destacou durante o pronunciamento que Belém está com uma grande demanda na rede de saúde, em que muitos médicos – da linha de frente desse enfrentamento ao vírus – estão adoecendo, outros desistindo do plantão. “A Prefeitura de Belém está contratando novos médicos, inclusive estrangeiros, e o governo do Estado também ficou de ceder alguns médicos cubanos”, disse Zenaldo, destacando ainda, o ocorrido no fim de semana. “Para vocês entenderem a gravidade, ontem, nós tivemos a falta de 51 médicos na nossa rede de UPA’s e PSM’s. Esse descompasso do aumento de demanda e falta de médicos tem deixado a gente numa situação angustiante”.

Em função do aumento de pessoas circulando nas ruas, e não respeitando as orientações de se manter em isolamento social e, critérios de higienização adequados, a Prefeitura de Belém precisou adotar novas medidas. “No sábado (dia 25), em reunião com diversos órgãos como Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública, anunciamos a decisão de tomar medidas mais rigorosas de isolamento social. Como regra geral, o decreto traz a paralisação do setor comercial, com exceção do alimentar, como supermercados. Mas estamos parando as lojas de departamento que funcionam em supermercados”, explicou o prefeito.

Autorizado - Dentre os serviços permitidos estão o de call center e o delivery, mas com algumas medidas como a troca de telefones entre os turnos, e o não compartilhamento de telefones. O consumo de alimentos no interior de estabelecimentos como padarias, por exemplo, está proibido, podendo apenas ser vendido o alimento, sem consumo no local. Serviços de hotelaria estão permitidos, mas com os restaurantes fechados, podendo servir os alimentos nos quartos. As obras de construção civil que não sejam de saúde ou essenciais, terão que paralisar, para evitar a circulação de operários nas ruas. Os supermercados continuam abertos, apenas não poderão servir buffet.

O gestor municipal enfatizou que os bares e restaurantes continuam fechados, assim como os shoppings centers e escolas. “Está proibida a venda de bebida alcoólica à noite, entre 21 horas e 6 horas da manhã, inclusive delivery. A medida foi tomada porque há aglomeração em frente a esses locais de venda”, explicou.

A Guarda Municipal de Belém atuará na fiscalização do cumprimento do decreto.

Saúde – Zenaldo Coutinho pontuou que a Prefeitura aumentou o valor do plantão que é pago aos médicos, passando de R$ 1.180 para R$ 1.400. “Essa foi uma forma de compensar a dedicação que esses profissionais estão dispensando nessa hora”.

Ainda de acordo com o prefeito, os profissionais da saúde do município estão sobrecarregados. “Eles estão dando tudo no atendimento dos pacientes, estão cumprindo a missão de salvar vidas. A gente precisa tirar esses pacientes que estão nas UPA’s e transferi-los para os hospitais. Porque senão, a gente acaba tendo um acúmulo enorme na porta de entrada, que é a porta mais visível. E para que a equipe possa atuar de forma mais tranquila”, enfatizou.

Transparência - A Prefeitura de Belém recebeu R$ 29 milhões do Governo Federal, e a forma que está sendo gasto está no Portal da Transparência. “A aplicação desses recursos será fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Município, Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal”, ratificou Zenaldo sobre o uso correto do valor destinado à saúde. “Nós temos a determinação de fazer a boa aplicação dos recursos, como sempre tivemos. Nosso portal já recebeu até prêmio pela prestação de contas. Criamos, inclusive, um comitê da Covid-19 para acompanhar esses gastos com a pandemia”.

Em relação ao decreto, não tem prazo estipulado para terminar seu vigor. E ele vale apenas para Belém. “Não podemos abrir os espaços com o vírus se espalhando. Estamos vivendo aflições. Esse final de semana foi muito angustiante. As pessoas não estão levando a sério porque ainda não viram o que está acontecendo nas unidades públicas e nas privadas também”, afirmou o prefeito de Belém. 

Entre os pontos do decreto, somente poderão permanecer abertos os estabelecimentos comerciais com serviços e atividades essenciais, como:
- Serviços médicos, odontológicos, fisioterápicos, hospitalares e de imunização;
- Comércio e serviços na área da saúde;
- Farmácias, drogarias, lavanderias e padarias;
- Atividades médico-periciais, serviços jurídicos, de contabilidade e atividades de assessoramento e consultoria em resposta à demandas urgentes;
- Assistência social;
- Segurança privada;
- Defesa civil;
- Transportadoras;
- Telecomunicações, internet e de processamentos de dados;
- Venda pela internet e telefone, inclusive call center, sendo proibido o compartilhamento de fones e microfones entre colaboradores;
- Distribuidoras de energia elétrica, água, gás, saneamento básico, serviço de limpeza urbana e coleta de lixo;
- Serviços de manutenção de redes e distribuição de energia elétrica, esgoto sanitário e iluminação pública;
- Produção, distribuição, comercialização e entrega realizadas presencialmente ou por meio de comércio eletrônico de produtos de saúde, higiene, alimentos e bebidas. É proibido o consumo de alimentos e bebidas no interior do estabelecimento;
- Serviços funerários, ficando os funerais limitados a no máximo 10 pessoas;
- Guarda, uso e controle de substâncias radioativas;
- Vigilância sanitária;
- Prevenção, controle e erradicação de pragas dos vegetais e zoonoses;
- Controle e fiscalização de tráfego;
- Mercado de capitais e de seguros;
- Serviços de pagamento, de crédito, de saque e aporte prestados pelas instituições supervisionadas pelo Banco Central, incluindo lotéricas, com atendimento presencial restrito ao pagamento de salários, aposentadorias, benefícios do Bolsa Família e aos serviços que não podem ser realizados nos caixas eletrônicos e canais de atendimento remoto;
- Serviços postais;
- Veículos de comunicação e seus respectivos parques técnicos;
- Fiscalização tributária, aduaneira e ambiental;
- Transporte de valores;
- Atividades de fiscalização;
- Distribuição e comercialização de combustíveis, lubrificantes e de derivados;
- Administração de condomínios;
- Produção rural, serviços agrícolas e veterinários, como clínicas veterinárias e pet shops;
- Distribuição e venda de materiais de construção e insumos necessários à construção civil, serviços de manutenção residencial, de automóveis - incluindo borracharias -, de elevadores e de outros equipamentos essenciais ao transporte, à segurança, saúde, alimentação e higiene;
- Distribuição e comercialização de equipamentos, peças e acessórios para refrigeração, bem como os serviços de manutenção de refrigeração;
- Hotelaria;
- Transporte de pessoas por ônibus, taxis ou aplicativos de transporte;
- Pesquisas científicas, laboratoriais ou similares relacionadas com a pandemia;
- Setor industrial em geral, sendo proibida a venda ou atendimento a clientes de forma presencial;
- Obras públicas de infraestrutura, saúde, saneamento, portos, mercados, feiras e segurança;
- Obras privadas residenciais unifamiliares e de saúde;
- Atividades religiosas de qualquer natureza, presenciais, com até 10  pessoas, no máximo, respeitada a distância mínima de 2 metros para pessoas com máscara, com a obrigatoriedade de fornecimento aos participantes de alternativas de higienização com água e sabão ou álcool gel, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.
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