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15/08/2020 às 12h23min - Atualizada em 15/08/2020 às 12h23min

Entenda o feriado de Adesão do Pará à Independência do Brasil

O feriado de 15 de agosto de 1823 é cercado de muitos contextos históricos

Marcus Passos
Com edição do Belém.com.br
O Pará foi a última Província a aderir à Independência do Brasil. (Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará)
   
Exatamente no dia 15 de agosto de 1823, várias autoridades da então Província do Grão-Pará assinavam no Palácio Lauro Sodré o documento que colocava fim à hegemonia portuguesa no Estado. Consumava-se ali, a Adesão do Pará à Independência do Brasil. Mas, para chegar nesse ponto da história, é necessário entender alguns contextos da época.

Os fortes laços com a Coroa Portuguesa explicam por que o Pará foi a última Província a aderir à Independência do Brasil. “A relação da província do Grão-Pará com Portugal é muito antiga, marcada pelo processo de fundação de Belém e se intensificada em função do comércio das drogas do sertão, em que a cidade de Belém se torna um dos portos mais importantes da coroa portuguesa”, explica o historiador Michel Pinho.

Além disso, a distância e a navegação entre a província e Lisboa era mais segura e rápida, o que facilitava o comércio e as relações sociopolíticas com a metrópole portuguesa. A elite do Grão-Pará também não se identificava com o processo de Independência do Brasil, ocorrido em 7 de setembro de 1822, no Rio de Janeiro. 

Como forma de resolver esse impasse e unificar o país, o imperador Dom Pedro I enviou uma frota de militares à província. Segundo a esquadra, a cidade de Belém seria invadida e bombardeada caso as autoridades locais não assinassem o termo de adesão do Estado à Independência. O blefe, ao que tudo indica, surtiu efeito.

O professor Michel Pinho chama atenção que apesar do processo de independência está fortemente associado às elites da época, as camadas populares tinham consciência do que estava acontecendo. “Porém, a população mais pobre tinha outras necessidades que iam além da discussão da adesão do Pará à independência. Tais como: miséria, fome, violência e epidemia que assolavam a Amazônia”, destaca.

O 15 de agosto de 1823 não significou uma mudança efetiva na vida dos negros, caboclos e indígenas. Todos continuaram sendo oprimidos pelos governantes locais. “Esse sentimento vai gerar uma aversão às elites econômicas que dominaram grande parte da história do Pará no início do século XIX. Não é à toa que isso irá culminar com algumas revoltas sociais em Belém, como a tragédia do Brigue Palhaço e a Cabanagem”, afirma o pesquisador.

O feriado de Adesão do Pará à Independência do Brasil representa um processo de construção de uma identidade nacional. Os eventos históricos que sucedem a formação do estado paraense e brasileiro nos anos seguintes são importantes para compreender o país atualmente.
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