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06/09/2020 às 13h10min - Atualizada em 06/09/2020 às 13h10min

Pandemia da covid-19 quebra tradições no sul do Pará

Neste mês de setembro aconteceria a 24ª Feira Agropecuária de Xinguara

Ramayana Torres / Equipe Belém.com.br
A Feira Agropecuária de Xinguara movimenta a economia da cidade desde 1991. (Foto: Arquivo pessoal/Ronielly Vieira)
    
O silêncio tomou conta das ruas de Xinguara, neste último sábado, dia 5 de setembro. O sentimento da população é de pesar pela quebra da tradição da Feira Agropecuária de Xinguara (FAX), impedida de ocorrer devido à covid-19. Em outras temporadas, o evento chega a movimentar o mercado do agronegócio e leva uma multidão ao Parque de Exposições Orlando Quagliato, desde sua primeira edição em 1991.

A exposição sempre inicia no primeiro final de semana de setembro, com a tradicional cavalgada ruralista pelas ruas de Xinguara. A concentração ocorre na avenida Xingú, uma das principais do município, desde 4h da manhã. Para 2020, essa programação foi cancelada, assim como várias outras espalhadas pelo Brasil.  

A FAX é um dos maiores eventos do agronegócio do país, cuja programação acontece durante nove dias, com atrações nacionais e novidades para o homem do campo. Além disso, o evento promove diversos concursos rurais, como: leiteiro, rodeio, marcha, queima do alho e outras atividades tradicionais.  

Cerca de 3 toneladas de carne são assadas e servidas à população, gratuitamente, após a cavalgada. “As pessoas doam carneiro, porco e carne bovina para realizarmos a chamada queima do alho. Aí um grupo de amigos se junta para assar a carne e preparar as marmitas para fornecer à população que participa da cavalgada”, conta o advogado Rafael Dantas, cuja família é voluntária há mais de 10 anos no concurso.

De acordo com o empresário Ricardo Cunha, os preparativos começam ainda em agosto, quando as lojas começam a investir em produtos country, como roupas, botas e chapéus. Além disso, os animais da montaria ganham enfeites e alegorias. “É bonito de se ver toda a população vestido o mesmo estilo. Tanto quem vem das fazendas, quanto o povo na concentração na Xingú. Os bois e cavalos também são enfeitados. Tem gente que acorda de madrugada para fazer isso”, explica. 

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Xinguara (SRX), Joel Lobato, o setor produtivo rural é o que sustenta a economia em nível local e nacional. Para ele é lamentável não haver a feira agropecuária. “O sindicato não obtém fins lucrativos. Então, para realizar este evento nós necessitamos do apoio da população, dos empresários e comerciantes locais, porque o custo da FAX gira em torno de R$ 1,5 milhão de reais. Ou seja, quem paga toda a feira são essas pessoas, visitantes, comerciantes e empresários locais”, revela.

Recorda-se Joel de um outro momento em que a feira quase não aconteceu por falta de verba e atuação do mercado local. “Não lembro exatamente o ano que foi, mas houve grande comoção. Recebi relatos de comerciante do micro ao macro que diziam que com a ausência da FAX suas lojas de roupas não venderiam como de costume; os salões de beleza não arrumariam tantos cabelo; e os açougues não venderiam a carne que pretendiam. Rapidamente, todos se movimentaram e conseguimos realizar umas das feiras mais bonitas, até então”, relembra. 

Através da perspectiva de Felipe Andrade, morador de Xinguara há 4 anos, o evento foi o motivo que lhe fez ficar no município. “Eu fui convidado por um amigo e quando cheguei aqui me encantei com tudo, a cultura local, a culinária. Logo arrumei um emprego no frigorífico e não pretendo mais sair da região. Me considero cidadão xinguarense”, disse o rapaz de 27 anos.

Além de promover entretenimento, a Exposição Agropecuária também contribui todos os anos para a divulgação da cidade, visto que Xinguara recebe pessoas de diversos lugares do estado, sobretudo da região dos Carajás, atraídos pelos eventos culturais e shows. Dos artistas que já passaram pela região, estão os nomes de Leonardo, Gustavo Lima, Wesley Safadão, Jorge e Matheus e Ivete Sangalo. Em 2019, foi a vez das rainhas da sofrência Marília Mendonça e Lauana Prado. 

Para Ronielly Vieira, Locutor de rodeio, as porteiras não abriram, a voz não ecoou pelo taterçal narrando o enlace entre peão e boi. A multidão não vibrou este ano e o único sentimento que paira é a esperança de um 2021 diferente.

“Infelizmente, a pandemia acabou com a nossa programação, nossos planos. A FAX é muito importante para todos na região do sul do Pará. Esse ano fica marcado pela lembrança de anos anteriores. Mas com fé em Deus, ano que vem faremos um evento inesquecível e com certeza bem mais aproveitado por todos”, acrescenta o locutor que já narrou rodeios pelo Brasil inteiro, incluindo Barretos.
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