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11/11/2019 às 13h26min - Atualizada em 11/11/2019 às 13h34min

Mudanças climáticas são responsáveis pela alteração no padrão de chuvas no Brasil

O clima já mudou e, infelizmente, continuará sofrendo alterações se a população mundial não adaptar rapidamente seus hábitos de vida e consumo.

DINO
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


Conforme o mundo se torna mais quente graças à mudança climática impulsionada pela atividade humana, haverá cada vez mais transformações na paisagem e fenômenos atmosféricos. "Mais de 11 mil cientistas de 153 países advertiram em um manifesto que a humanidade corre o risco de passar por um sofrimento sem precedentes se não forem colocadas em prática mudanças radicais para reduzir os fatores que contribuem para as alterações climáticas", relata Vininha F. Carvalho, jornalista de turismo ecológico.

De acordo com o documento, os cientistas analisaram informações recolhidas e publicadas ao longo de mais de 40 anos sobre o uso de energia, registros de temperaturas na superfície da Terra, crescimento populacional, desmatamento, perda de calotas polares, índices de fertilidade, emissões de dióxido de carbono e produto interno bruto das nações.

Os cientistas ainda afirmam que não há tempo a perder. A crise climática chegou e está se acelerando mais rapidamente do que muitos cientistas esperavam. É mais grave do que o previsto, ameaçando os ecossistemas naturais e o destino da humanidade.

Um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, publicado no International Journal of Climatology, revela que as mudanças climáticas são responsáveis pela alteração no padrão de chuvas no Brasil. As conclusões do trabalho, baseadas em 70 anos de dados meteorológicos, mostram que as ilhas de calor em grandes metrópoles criam condições para a formação de tempestades, que são intensificadas devido à proximidade com o Oceano Atlântico. O levantamento ainda destaca a tendência de um ressecamento das regiões Norte e Nordeste e um umedecimento do Sul e do Sudeste.

Segundo Vininha F. Carvalho, o clima já mudou e, infelizmente, continuará sofrendo alterações se a população mundial não adaptar rapidamente seus hábitos de vida e consumo. A grande exploração de combustíveis fósseis como diesel, gasolina, querosene e carvão mineral; os altos índices de desmatamento; e a produção agropecuária com alta intensidade de emissões de gases de efeito estufa (GEE), sem o uso de técnicas de redução, são os principais fatores que agravam o problema.

A Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas recomenda há anos que todos os países membros tenham um plano de ação para adaptação. Em maio de 2016, o Brasil instituiu o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), com o objetivo de promover a redução da vulnerabilidade nacional às mudanças climáticas e realizar uma gestão do risco associada a esse fenômeno. É mais do que urgente à necessidade de o poder público implementar o PNA nas esferas nacional, estadual e municipal.

Responsável por 25% das emissões em 2018, no Brasil a agropecuária registrou uma leve queda, de 0,7%, em comparação ao ano anterior. "O principal gás estufa proveniente do setor é o metano, fruto do processo digestivo de bois, ovinos e caprinos. Como houve redução do rebanho bovino no país naquele ano, o mesmo ocorreu com as emissões", salienta Vininha F. Carvalho.

Novo relatório sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revela que o desperdício de alimentos gera de 8% a 10% do volume total de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos. Se for comparado o volume associado ao problema brasileiro com a dos outros países, ele representaria o terceiro maior emissor global, depois de China e Estados Unidos.

O estudo demonstra, portanto, que o desperdício anual de 1,3 bilhão de toneladas, quase um terço do total produzido, não afeta apenas a segurança alimentar, o que já seria suficientemente grave. Prejudica, também, o meio ambiente e agrava os fatores causadores das mudanças climáticas. Um dos dados do trabalho permite dimensionar bem a questão: 38% dos recursos energéticos consumidos pelo sistema alimentar global são utilizados para produzir alimentos perdidos ou desperdiçados. Além disso, quase 30% das terras agrícolas do Planeta são usadas para produzir alimentos que nunca serão consumidos, representando uma área semelhante à do total do continente antártico.

"Já as emissões do setor de energia, que inclui a queima de combustíveis fósseis no transporte e geração de eletricidade, foram as que mais caíram: 5%. Isso aconteceu porque houve aumento do uso de biocombustíveis, como uso de etanol nos transportes, com uma redução no consumo de gasolina. O uso de energia renovável também aumentou, principalmente a eólica", enfatiza Vininha F. Carvalho.

Criado em 2012, o Seeg gera as estimativas segundo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com base nos dados dos inventários do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Quanto aos processos industriais e uso de produtos, que contabilizam emissões da indústria, o aumento foi de 1%. Uma alta semelhante foi observada nas emissões por resíduos, que foi de 1,3%. O aumento, segundo pesquisadores do Seeg, se deve em parte ao aumento da população e da urbanização no Brasil.

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