COP 30 em Belém: Brasil mira US$ 1,3 trilhão em finanças do clima

Em evento pré-COP em Belém, CEO Ana Toni e presidente do CEBDS, Marina Grossi, detalham planos para a cúpula do clima. Meta é destravar financiamento trilionário para transição ecológica e apresentar soluções concretas do setor empresarial para o mundo.

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COP 30 em Belém: Brasil mira US$ 1,3 trilhão em finanças do clima
Foto: Ivan Duarte
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O Brasil quer liderar a mobilização de US$ 1,3 trilhão para financiar a transição ecológica em países em desenvolvimento. A meta ambiciosa foi apresentada por Ana Toni, CEO da COP 30, em uma coletiva de imprensa durante o Congresso Sustentável 2025, realizado pelo CEBDS em Belém (PA).

 

A contagem regressiva para a maior conferência climática do planeta, sediada na Amazônia, não é mais uma questão de calendário, mas de ação. E a ambição brasileira foi colocada na mesa com uma cifra que ecoa a urgência do nosso tempo: US$ 1,3 trilhão. Esse é o montante que o Brasil, na presidência da COP 30, pretende ajudar a mobilizar para que países em desenvolvimento, como o nosso, possam financiar sua transição para uma economia mais verde e justa.

O anúncio foi feito na manhã da última terça-feira (1º) por Ana Toni, CEO da COP 30, durante uma coletiva de imprensa que antecedeu a abertura do Congresso Sustentável 2025, organizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) em Belém. A capital paraense, que se prepara para receber o mundo em novembro, foi o palco onde as diretrizes da liderança brasileira começaram a ser desenhadas.

"Agora é o momento de transformar promessas em ação. Quem está na linha de frente dessa implementação são os governos subnacionais e o setor privado", afirmou Ana Toni, sinalizando que a era das negociações do "livro de regras" do Acordo de Paris ficou para trás. A COP 30, segundo ela, será a da implementação. E para implementar, é preciso dinheiro.

A meta trilionária, que será trabalhada em conjunto com a presidência da COP 29, em Baku, no Azerbaijão, visa criar um roteiro claro de como destravar o financiamento climático. “Esse é um dos grandes compromissos que vamos levar ao mundo. Não dá para fazer transição energética e preservar florestas sem financiamento robusto e justo”, defendeu a CEO.

Sediar o evento na Amazônia, para Toni, é uma mensagem poderosa. A estratégia é mostrar ao planeta que a bioeconomia e a floresta em pé não são apenas discursos, mas o centro da solução climática, com o Brasil impulsionando mecanismos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e novos mercados de carbono focados em regeneração.

O Setor Privado na Linha de Frente

Se o poder público aponta o norte, é o setor empresarial que, muitas vezes, constrói a estrada. Marina Grossi, presidente do CEBDS e enviada especial do setor empresarial à COP 30, reforçou essa visão ao apresentar um panorama concreto das ações em curso no país.

Segundo ela, o Congresso do CEBDS funciona como um "esquenta" para a COP, reunindo 65 soluções escaláveis que provam que o Brasil tem capacidade de liderar pelo exemplo. Contudo, Grossi apontou o principal gargalo. “Apenas 16% dos recursos globais para mitigação e adaptação vão para os países em desenvolvimento. Isso precisa mudar. O Brasil tem as soluções e pode fazê-las com custos mais baixos, mas precisa de parceria internacional”, afirmou.

Para organizar a atuação, o CEBDS criou coalizões temáticas em áreas cruciais. No setor de transportes, por exemplo, a combinação de biocombustíveis, eletrificação e mudança da matriz modal pode responder por 70% da redução de emissões necessária até 2050. “Isso mostra o caminho”, pontuou Grossi.

A sustentabilidade, antes vista como um custo ou uma obrigação, hoje é sinônimo de competitividade e resiliência. “Aqui no Brasil, 90% dos líderes empresariais afirmam que seguem investindo voluntariamente na agenda. Essa integração entre o setor privado e o poder público é fundamental para que o Brasil chegue unido e forte à COP. E Belém, como sede, tem tudo para ser o símbolo global dessa virada”, concluiu.

Com informações de O Liberal.


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