A capital paraense, Belém, se prepara para ser o epicentro das discussões climáticas globais em novembro, e uma das grandes novidades da COP30 já começa a movimentar a economia local e a transformar vidas. Pela primeira vez na história do evento, a alimentação dos participantes será baseada em produtos oriundos da agricultura familiar, com um compromisso que prioriza organizações lideradas por mulheres, jovens rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Para isso, os empreendedores e empresários que forem selecionados para comercialização de alimentos durante o evento dentro dos espaços oficiais se comprometerão a adquirir no mínimo 30% dos seus insumos básicos da agricultura familiar.
A iniciativa, fruto de um trabalho colaborativo que começou em 2024, foi formalizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e reflete a crença de que as soluções para a crise climática estão diretamente ligadas à segurança alimentar e à justiça social. Roseli Zerbinato, uma das idealizadoras do projeto, ressalta a importância simbólica da decisão: "Servir alimentos como açaí, tucupi e mandioca não é apenas uma escolha culinária. É uma declaração política de que o fortalecimento de sistemas alimentares locais, diversos e sustentáveis é o caminho para um futuro resiliente".
A medida, que já tem um edital de compras sustentáveis em andamento, representa uma oportunidade sem precedentes para as cerca de 640 mil famílias de agricultores familiares paraenses que produzem mais de 60 tipos de insumos, como açaí, milho, mandioca, jambu, e frutas. Para esses produtores, a COP30 se torna uma vitrine global, abrindo portas para novos mercados, aumentando a renda e fortalecendo as cadeias produtivas locais.
O Brasil, ao assumir esse compromisso, envia uma mensagem clara de que a agenda climática precisa ser integrada a pautas de combate à fome e redução da desigualdade. A iniciativa na COP30 reforça um modelo em que a produção de alimentos, a geração de renda e a preservação ambiental caminham juntas. Essa visão, alinhada com as discussões sobre bioeconomia, pode impulsionar o setor e colocar o Pará e o Brasil em uma posição de protagonismo nas negociações globais.