Na Amazônia, óleos e manteigas extraídos de sementes e frutos tradicionais, como andiroba, tucumã e buriti, começam a ganhar novas aplicações em laboratórios e ateliês de cosméticos no Pará. O movimento une ciência, inovação e práticas sustentáveis para valorizar a biodiversidade local sem abrir mão da floresta em pé.
Uma das iniciativas à frente dessa proposta é a Terra & Floresta, startup fundada em Belém pelo químico industrial Euler Chaves, natural de São Sebastião da Boa Vista, no arquipélago do Marajó. Filho de família ribeirinha, Euler sempre teve contato direto com a floresta e hoje aposta em produtos veganos feitos a partir da biodiversidade amazônica.
“Nascemos com o propósito de unir ciência, inovação e saberes ancestrais da Amazônia para criar produtos que respeitem e valorizem a biodiversidade da região. A ideia surgiu da necessidade de promover o uso sustentável dos recursos naturais e oferecer alternativas éticas e alinhadas à preservação ambiental”, afirma.
Entre os lançamentos da marca estão 5 linhas de produtos como sabonetes líquidos e em barras, hidratantes, sérum facial lipossolúvel e batons veganos, formulados com óleos e manteigas regionais. A produção envolve desde comunidades extrativistas até fornecedores especializados, como a Amazon Oil.
Entre os insumos utilizados pela Terra & Floresta estão:
Andiroba: conhecida pelo uso popular contra inflamações e como hidratante.
Buriti: rico em vitamina A, ajuda a proteger a pele contra os raios solares.
Tucumã: fonte de carotenoides, auxilia na regeneração celular.
Açaí e Castanha-do-Pará: oferecem nutrientes que fortalecem a pele e os cabelos.
“O processo de pesquisa e formulação dos produtos envolveu uma extensa colaboração entre cientistas, especialistas em cosméticos e comunidades locais para identificar matérias-primas que oferecessem benefícios funcionais e sustentáveis” , relembra.
Euler é formado em Química Industrial pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e mestrando em Engenharia Química. Para ele, a pesquisa científica é fundamental para transformar a biodiversidade em oportunidades de desenvolvimento regional.
“A ciência nos ajuda a garantir qualidade e a abrir caminhos para que produtos da Amazônia possam competir em outros mercados. Mas o mais importante é que isso seja feito valorizando quem vive na floresta”, destaca.
Além do potencial econômico, a startup carrega a identidade amazônica e a ciência. Para o fundador da Terra & Floresta, a pesquisa científica é essencial para consolidar o potencial da Amazônia no mercado internacional. “Ela garante qualidade, rastreabilidade e ainda revela novas propriedades funcionais dos insumos. Nosso propósito é mostrar que é possível valorizar a biodiversidade sem comprometer a floresta em pé”, conclui Euler.