COP30: Compromisso de Belém 4x - Brasil lidera acordo global

Lançado na pré-COP em Brasília, pacto com Índia, Itália e Japão visa quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis e acelerar a descarbonização global.

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COP30: Compromisso de Belém 4x - Brasil lidera acordo global
4.10.2025 - Lançamento do relatório da Agência Internacional de Energia Renovável | Fotos: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

O nome da capital paraense ecoou forte em Brasília nesta terça-feira (14), mas com um alcance que promete ser global. Durante o encerramento da pré-COP30, evento preparatório para a grande conferência do clima da ONU, o Brasil lançou oficialmente o "Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis", uma iniciativa ambiciosa que já nasce com o apelido de "Belém 4x". A proposta, que já conta com a adesão inicial de gigantes como Índia, Itália e Japão, estabelece uma meta ousada: quadruplicar a produção e o consumo de combustíveis sustentáveis em todo o mundo até 2035

Ainda que o palco do anúncio tenha sido o planalto central, a escolha do nome é uma homenagem direta e um aceno estratégico à cidade que, em novembro de 2025, sediará a COP30. Belém, a nossa Belém, porta de entrada da Amazônia, empresta seu nome a um pacto que pode redesenhar a matriz energética de setores cruciais da economia mundial. É o Pará, mais uma vez, no centro do debate sobre o futuro do planeta, não apenas como cenário, mas como inspiração para a ação.

O lide da questão é que o "Belém 4x" foca naquilo que os especialistas chamam de "setores de difícil descarbonização". Pense na aviação e no transporte marítimo. São indústrias que movem o mundo, mas que, até hoje, são massivamente dependentes de combustíveis fósseis. A eletrificação, que avança a passos largos nos carros de passeio, ainda é uma realidade distante para um navio cargueiro ou um avião transatlântico. É exatamente nessa ferida que o compromisso quer atuar.

"Esperamos um bom número de adesões até a COP30", afirmou João Marcos Paes Leme, diretor do Departamento de Energia do Itamaraty. A fala do diplomata, proferida durante o encontro que reuniu ministros de 67 países, revela a estratégia brasileira: usar o tempo até a conferência em Belém para robustecer a aliança, atraindo mais nações para a meta. O objetivo é claro: chegar à COP30 não apenas com um plano, mas com um bloco coeso de países dispostos a acelerar a transição energética.

Mas, afinal, o que são os combustíveis sustentáveis previstos no acordo? A proposta abrange um leque de tecnologias, incluindo biocombustíveis avançados, como o etanol de segunda geração e o diesel verde (HVO), o hidrogênio de baixo carbono e seus derivados, e combustíveis sintéticos produzidos a partir de fontes renováveis. O Brasil, com seu histórico de sucesso no Proálcool e sua vasta capacidade de produção de biomassa, se posiciona como um líder natural nesse movimento, uma espécie de vanguarda da descarbonização.

A lógica por trás do "Belém 4x" é fomentar a criação de políticas públicas em escala global. A ideia é que os países signatários estabeleçam mandatos e incentivos para a mistura de combustíveis sustentáveis aos fósseis, garantindo demanda e, consequentemente, estimulando a produção. É uma tentativa de criar um mercado global robusto, que possa reduzir os custos de produção – hoje, um dos principais entraves para a popularização de alternativas como o Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

Para o Brasil, e especialmente para a Amazônia, a iniciativa representa uma oportunidade única. Ao liderar a agenda de combustíveis verdes, o país pode atrair investimentos bilionários para a bioeconomia, gerando emprego e renda a partir da floresta em pé. É a chance de mostrar ao mundo que é possível aliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental, transformando o potencial da nossa biodiversidade em soluções para a crise climática.

O caminho, contudo, não é isento de desafios. A expansão da produção de biocombustíveis, por exemplo, acende um debate importante sobre o uso da terra e a segurança alimentar. Francesco La Camera, diretor-geral da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), celebrou a iniciativa, mas alertou que a produção precisa ser criteriosa para não gerar desmatamento ou competir com a produção de alimentos. O equilíbrio será a chave do sucesso.

Enquanto a COP30 não chega para transformar as ruas de Belém no epicentro da diplomacia climática, o espírito da cidade já viaja o mundo, carregado por um compromisso que, se bem-sucedido, pode nos ajudar a respirar um futuro mais limpo. É o nome da nossa casa batizando a esperança.

SERVIÇO: O QUE É O COMPROMISSO DE BELÉM 4X?

O quê: Uma iniciativa internacional para quadruplicar a produção e o uso global de combustíveis sustentáveis.

Meta: Atingir a meta 4x até o ano de 2035, em relação aos níveis de 2024.

Quem lidera: Brasil, com adesão inicial de Índia, Itália e Japão.

Foco: Acelerar a descarbonização de setores como aviação, transporte marítimo e indústrias pesadas.

Contexto: Lançado como uma das principais propostas do Brasil na preparação para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025.


FONTE: Agência GOV
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