A revogação da tarifa adicional de 40% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros marca um momento decisivo para o comércio entre os dois países. A Casa Branca decidiu eliminar a sobretaxa após uma série de movimentações diplomáticas envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e o presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, o gesto americano foi considerado essencial para que Brasil e EUA avancem no diálogo sobre um novo acordo comercial setorial, cujo prazo estimado de conclusão é de 60 a 90 dias. A retirada da tarifa também responde à pressão interna nos EUA: com a alta de quase 20% no preço do café, o tarifaço havia se tornado impopular. O Brasil, principal fornecedor do produto, viu suas exportações de café para o mercado americano caírem 54% em outubro, o que afetou produtores e o comércio bilateral.
A ordem executiva assinada por Trump é retroativa a 13 de novembro, o que significa que produtos embarcados após essa data não sofrerão a cobrança adicional. A medida abrange não apenas café e carne bovina — itens mais afetados — mas também frutas, vegetais, especiarias, cacau, alimentos processados, fertilizantes e minérios.
Os Estados Unidos revogaram a tarifa extra de 40% sobre a importação de café, carne bovina e diversos produtos agrícolas brasileiros, retomando o fluxo comercial afetado desde julho. A decisão, anunciada por ordem executiva do presidente Donald Trump, é retroativa a 13 de novembro e foi tomada após uma nova rodada de diálogo com o governo brasileiro.
A Casa Branca informou que a revisão ocorreu após conversas diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de reuniões entre diplomatas dos dois países. Segundo autoridades americanas, a medida atende a um ajuste de política comercial voltado a itens que os EUA “não produzem em escala suficiente”, como café e banana.
O documento assinado por Trump lista carne, frutas, vegetais, especiarias, produtos de cacau, alimentos processados, bebidas, fertilizantes, minérios e combustíveis fósseis entre os itens beneficiados. A retirada das tarifas deve facilitar a retomada das exportações brasileiras, que haviam despencado desde o tarifaço.
De acordo com dados do setor, o Brasil exportou US$ 1,9 bilhão em café para os EUA no ano passado. Em outubro, porém, o volume enviado ao mercado americano caiu 54%, pressionando produtores e cooperativas. O preço do café nos EUA chegou a subir quase 20% em setembro, cenário que elevou a rejeição de consumidores americanos à sobretaxa.
Fontes do Itamaraty afirmaram que o governo brasileiro recebeu a decisão com “satisfação”, avaliando que o gesto cria condições para avançar nas negociações de um acordo comercial por setores, previsto para ser concluído em até 90 dias.
Segundo pessoas próximas ao Planalto, Lula pretende viajar a Washington para prosseguir no diálogo político e econômico. O presidente brasileiro considera que o recuo das tarifas representa “uma vitória da diplomacia e do bom senso”, sinalizando disposição para zerar ruídos entre as duas nações.
A medida também reduz pressões internas nos EUA. Especialistas apontam que a alta nos preços de alimentos importados e o descontentamento de eleitores influenciaram decisões recentes na Casa Branca e no Congresso.