O martelo foi batido em Brasília e o eco chegou em cada centro de distribuição deste país. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu, na noite desta terça-feira (30), que a greve dos funcionários dos Correios não é abusiva. Uma vitória jurídica importante para a categoria, sem dúvida, mas que veio acompanhada de um “porém” doloroso para o bolso do trabalhador: a corte autorizou o desconto dos dias parados nos salários de quem aderiu ao movimento.
É aquele tipo de desfecho que deixa um gosto agridoce. Se por um lado a Justiça reconheceu a legitimidade da luta — afinal, ninguém para de trabalhar por esporte, e sim por necessidade —, por outro, a conta chegou rápido. A decisão determina o retorno imediato às atividades a partir desta quarta-feira (31), garantindo que a normalidade nas entregas seja restabelecida justamente na véspera do Ano Novo.
Mas vamos aos dados, porque a gente sabe que contra números não há retórica que se sustente. O julgamento garantiu aos trabalhadores um reajuste salarial de 5,1%, além da manutenção da maioria das cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com validade até 2026. Isso significa que benefícios históricos, que a direção da empresa tentava flexibilizar sob a justificativa de corte de gastos, foram preservados. Estamos falando de conquistas como o adicional de 70% nas férias e o pagamento diferenciado para o trabalho aos fins de semana.
A relatora do caso, ministra Kátia Magalhães Arruda, pontuou que as negociações vinham se arrastando desde julho. Para a categoria, a greve foi o último recurso diante de um cenário de incertezas. Já para a estatal, que enfrenta um momento delicado com planos de reestruturação que incluem o fechamento de agências deficitárias e um Plano de Demissão Voluntária (PDV), a paralisação era um risco à sustentabilidade financeira.
No fim das contas, a decisão do TST funciona como um freio de arrumação. Não houve vencedores absolutos. A empresa terá que pagar o reajuste e manter direitos; os trabalhadores garantiram a manutenção do acordo coletivo, mas perderão os dias de luta no contracheque. Como diria aquela canção que a gente conhece bem, viver é melhor que sonhar, mas a realidade do trabalhador brasileiro exige matar um leão por dia — e ainda torcer para o salário cair na conta sem descontos.
Serviço:
Com o fim da greve, a expectativa é que o fluxo de entregas, que sofreu atrasos pontuais em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, seja normalizado ao longo desta semana. Se você tem encomendas atrasadas, o rastreamento deve ser atualizado nas próximas 24 horas no sistema oficial dos Correios.
Agora, é levantar a cabeça e seguir, porque o trabalho não para. Afinal, como nos ensina o bom e velho samba: o show tem que continuar.
Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.