Parece que a mentira tem pernas curtas, mas corre uma maratona inteira antes da verdade conseguir amarrar os cadarços. Estamos no último dia de 2025 e, acreditem se quiser, a Receita Federal precisou vir a público – novamente – para desmentir um dos boatos mais persistentes do ano: a tal da "taxação do Pix" para pessoas físicas.
Nesta segunda-feira (29), o Fisco emitiu uma nota oficial categórica negando que transações acima de R$ 5 mil sejam tributadas em 27,5% ou que exista uma multa absurda de 150% para quem não declarar essas movimentações. Essa história, que circula no "zap" da família como se fosse um segredo de estado revelado, é uma distorção grosseira de normas voltadas para empresas e para o combate à lavagem de dinheiro. Para o cidadão comum, nada mudou: o Pix continua gratuito e isento.
Mas como dizem por aí: "I'm so sick of this fake love" (eu estou exausto deste amor falso). A desinformação financeira em 2025 funcionou como uma Hidra de Lerna – você corta uma cabeça, e nascem duas no lugar. A ansiedade econômica vira terreno fértil para cliques maliciosos.
Para fechar o ano com a carteira protegida, preparamos uma retrospectiva com as "campeãs de audiência" da desinformação financeira que circularam este ano. Se você caiu em alguma, não se culpe: elas são desenhadas para enganar.
O Resgate Milagroso do Banco Central
Talvez o campeão do ano. Sites falsos prometiam uma "indenização" de até R$ 10 mil para quem usou Pix entre 2020 e 2025, alegando um suposto vazamento de dados sigilosos. O roteiro era de cinema: usavam vídeos manipulados (deepfakes) de jornalistas famosos anunciando o pagamento. A realidade? O Sistema de Valores a Receber (SVR) existe, é oficial, mas só devolve o que é seu de verdade, e não paga indenização por uso de tecnologia.
A Falsa Venda (o terror do e-commerce)
Segundo dados da Febraban, o golpe da venda falsa disparou em 2025, crescendo mais de 300% no primeiro semestre. Com a ajuda de IA, criminosos criaram sites espelhados de grandes varejistas com uma perfeição assustadora. Sabe aquela promoção de smart TV pela metade do preço que apareceu no seu feed? Pois é. O produto nunca chegava, e o dinheiro ia para contas de laranjas.
Deepfakes de Investimentos
Não foi só a foto do Papa vestindo jaqueta puffer. Em 2025, vimos empresários e até celebridades "recomendando" plataformas de investimento duvidosas em vídeos gerados por inteligência artificial. A tecnologia avançou tanto que a sincronia labial e o timbre de voz enganaram muita gente boa. A regra de ouro continua: se a promessa de lucro é fácil demais, desconfie.
O que todas essas histórias têm em comum? O senso de urgência. "Regularize agora ou pague multa", "Resgate antes que expire", "Promoção só hoje". É a tática do pânico.
A Receita Federal reforça que não envia links por e-mail ou WhatsApp para cobrar impostos ou regularizar CPF. Toda interação segura deve ser feita via Portal e-CAC ou pelo app oficial.
Como se proteger em 2026?
1. Antes de compartilhar aquela notícia bombástica no grupo da família (e causar um infarto na tia do pavê), respire.
2. Verifique a fonte: o link termina em .gov.br? É de um veículo de imprensa conhecido?
3. Desconfie de títulos alarmistas (geralmente em CAIXA ALTA).
4. Na dúvida, não clique. Vá até o site oficial da instituição digitando o endereço no navegador.
Que em 2026 a gente tenha mais "Love Yourself" e menos "Fake Love" com o nosso dinheiro. Feliz Ano Novo, Belém!
Por Thaís Raquel de Moraes, para o Portal Belém.