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26/10/2020 às 09h36min - Atualizada em 26/10/2020 às 09h36min

Em referendo, Chile decide descartar atual Constituição

78,12% dos eleitores optaram a favor de uma nova Carta Magna

Agência Barsil
Com edição do Belém.com.br
Na Plaza Italia, em Santiago, uma multidão de dezenas de milhares de pessoas gritavam a palavra "renascimento”. (Foto: Carlos Vera/Colectivo2+)
       
Os chilenos lotaram as principais praças do país na noite de domingo depois que os eleitores deram amplo apoio ao plano de descartar a atual Constituição do país, que vem da era do ditador Augusto Pinochet, em favor de uma nova Carta que será escrita pelos cidadãos.


Na Plaza Italia, em Santiago, foco de muitos protestos no ano passado que tinham como reivindicação uma nova Carta Magna, fogos de artifício foram lançados em meio a uma multidão de dezenas de milhares de pessoas gritando em uníssono a palavra "renascimento”.

Com mais de três quartos dos votos apurados, 78,12% dos eleitores optaram por uma nova Constituição. Muitos manifestaram esperanças de que um novo texto vai moderar um viés amplamente capitalista com garantias de mais direitos iguais na saúde, aposentadorias e educação.

“Essa vitória pertence às pessoas, é graças aos esforços de todos que estamos neste momento de comemoração. O que me deixa mais feliz é a participação dos jovens, os jovens querem fazer as mudanças”, disse Daniel, de 37 anos, à Reuters na Plaza Nunoa, em Santiago.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse que se o país estava dividido por causa dos protestos e dos debates sobre aprovar ou rejeitar os planos para uma nova Constituição, de agora em diante deve se unir por trás de um novo texto que forneça “um abrigo para todos”.

O líder de centro-direita, cuja popularidade despencou em meio aos protestos e se manteve claudicante, falou para aqueles que queriam manter a atual Constituição, apontada como responsável por fazer do Chile um dos sucessos econômicos da América Latina.

Qualquer novo texto deve incorporar “o legado das gerações passadas, a vontade da geração atual e as esperanças das gerações que virão. Esse referendo não é o fim, é o início de uma estrada que temos de percorrer em direção a uma nova Constituição”, disse o presidente Sebastián Piñera.

Quatro quintos dos eleitores disseram que querem que a nova Carta seja elaborada por um órgão de cidadãos especialmente eleitos, formado por metade de homens e metade de mulheres, em vez de uma convenção mista de parlamentares e cidadãos, o que enfatizou a ampla descrença dos chilenos na classe política.

Os integrantes de uma assembleia constituinte de 155 membros serão eleitos em abril de 2021 e terão até um ano para concordar com um texto, e as propostas terão de ser aprovadas por maioria de dois terços.

Os chilenos terão então de votar novamente sobre se aceitam o novo texto ou querem retomar a Constituição anterior.
 
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