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05/11/2019 às 14h32min - Atualizada em 05/11/2019 às 14h32min

Pesquisa sobre a Marujada é tema de seminário em Bragança

Durante o seminário, haverá apresentação musical, nesta quarta-feira (6), às 15h, no campus da UFPA em Bragança

belem.com.br
Portal Iphan
Fundada por um grupo de africanos escravizados do então governo-geral do Grão-Pará e Maranhão, a Marujada tem seu primeiro registro no ano de 1789 (Foto: Karina Martins/Iphan)

As fitas coloridas circundam o santo preto, durante o mês de dezembro, no município de Bragança, nordeste paraense, mobilizando a comunidade, o comércio e o turismo durante a Marujada de São Bendito, umas das maiores festas populares da Amazônia. O cotidiano das folias do santo, o ritmo do xote e do retumbão, que compõem a devoção a São Benedito, serão tema, nesta quarta e quinta-feira (6 e 7 de novembro), do seminário Marujada de São Benedito de Bragança: Patrimônio Cultural do Brasil. Realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), o seminário visa a apresentar e debater os resultados parciais do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) sobre a manifestação.
 
Fundada por um grupo de africanos escravizados do então governo-geral do Grão-Pará e Maranhão, a Marujada tem seu primeiro registro no ano de 1789, no período colonial, quando nasce a Irmandade de São Benedito. A irmandade tinha o propósito de realizar uma festa em louvor ao santo, com música e dança nas casas da região. Depois de quase 220 edições da Marujada, em 2009, a festa foi declarada patrimônio cultural e artístico do Pará. E, em 2018, o Iphan firmou parceria com a Faculdade de História de Bragança, da UFPA, para a realização do INRC, cujo objetivo é identificar as diversas manifestações culturais e bens de interesse, compondo um banco de dados para valorização e salvaguarda.
 
O inventário está em fase de levantamento preliminar. Esta etapa inclui a delimitação do sítio patrimonial a ser inventariado, pesquisa em documentos oficiais e, ainda, realização de entrevistas com a comunidade envolvida na manifestação. Os resultados parciais dessa fase é que serão apresentados durante o seminário, que contará com apresentação cultural, reuniões técnicas entre técnicos do Iphan e a equipe de pesquisa, além de roda de conversa com os detentores e detentoras da Marujada.
 
“O inventário em si já é considerado uma ação de salvaguarda, uma vez que a gente está realizando a ampla documentação de uma manifestação cultural”, explica o técnico em Antropologia do Iphan-PA, Cyro de Almeida Lins, ressaltando que, após o levantamento preliminar, haverá as etapas de identificação e documentação. “Já se espera, no entanto, que, mesmo na fase de levantamento preliminar, considerando a grande quantidade de produção e informação que existe sobre a Marujada, já seja possível elaborar um dossiê de registro”, diz Cyro. O dossiê é necessário para apreciação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que decide se o bem será ou não registrado como Patrimônio Cultural do Brasil. O Conselho deverá apreciar o registro da Marujada nos próximos anos.
 
Os principais envolvidos no inventário são os detentores, sujeitos que conduzem as manifestações culturais – celebrações como as festividades dos santos e saberes como os modos de fazer Viola de Cocho e Cuias do Baixo Amazonas, por exemplo. No caso de Bragança, os detentores são os marujos e as marujas, que, dentre outras coisas, realizam danças e ritos devocionais durante os festejos. Além disso, a festa contém uma série de outros rituais, como as missas, o arraial e a alvorada (salva de fogos) durante o levantamento do mastro. Todo o roteiro é conduzido pela Capitoa, cargo de liderança exercido exclusivamente por uma mulher, conferindo à Marujada um caráter fortemente matriarcal. A festividade é realizada pela Irmandade de São Benedito e Paróquia de Bragança.

“Tivemos entrevistas sobre os chapéus, as roupas, as danças. Marujos e marujas participaram. Falaram sobre o leilão, sobre a Marujada toda”, conta a Capitoa da Marujada, Maria de Jesus do Rosário Silveira, 62 anos, conhecida como Bia. “A Marujada é importante demais. Mesmo porque a Marujada tem a parte do catolicismo e as pessoas fazem promessas para dançar marujada. É muita fé pra Bragança, pela intersecção de São Benedito”, completa a Capitoa, que ocupa o cargo há seis anos.
 
Durante o seminário, haverá apresentação musical no dia 6 de novembro, às 15h, no auditório Maria Lúcia Medeiros, no campus da UFPA em Bragança, abrindo a programação. Na sequência, serão apresentados os resultados iniciais do Projeto e Roda de Conversa: a marujada de São Benedito de Bragança. No dia seguinte, às 9h, técnicos do Iphan e equipe de pesquisa da UFPA se reúnem para planejar os próximos passos e, a seguir, realizam reunião de avaliação dos resultados. Às 17h, o evento será encerrado na Faculdade de História da UFPA.
 
Serviço:
Seminário Marujada de São Benedito de Bragança: Patrimônio Cultural do Brasil
Datas: 06 e 07 de novembro de 2019
Local: Auditório Maria Lúcia Medeiros
           Universidade Federal do Pará – Campus de Bragança
           Alameda Leandro Ribeiro – Aldeia, Bragança (PA)
Informações: Superintendência do Iphan no Pará: (91) 3224-1825/ 3224-0699

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