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12/12/2019 às 11h30min - Atualizada em 12/12/2019 às 11h30min

O desafio de se implantar cidades inteligentes (e sustentáveis) na Amazônia

Texto de Rodrigo Quites
      
Indústria 4.0, redes 5G, big data, inteligência artificial... Além de buzzwords do pessoal que trabalha diretamente com tecnologia, estas são algumas das tecnologias que sempre são associadas quando se fala nas cidades inteligentes.

Embora ainda não se tenha uma definição formal de consenso sobre o que caracteriza uma cidade inteligente, podemos entender que esta “cidade” deve fornecer uma série de serviços para facilitar a vida dos gestores e residentes. Imagine uma cidade em que todos os sistemas de controle são integrados: informações de segurança, trânsito (de veículos e pedestres), saúde, saneamento, e energia estão todos “sobrepostas”, de forma que os gestores possam definir estratégias para lidar com situações extremas que podem ser manipuladas ao clique de um mouse.

As cidades inteligentes constituem o desafio tecnológico no nosso século em decorrência dos aspectos de segurança, interoperabilidade e escalabilidade que as soluções precisam oferecer. O “problema das ambulâncias de Londres” na década de 1990 [1] – que resultou em um verdadeiro colapso no atendimento de chamados naquela cidade e é tão estudado nas aulas de Ciência da Computação – representa uma pequena amostra das dificuldades que estão pela frente.

Enquanto os países mais avançados já discutem questões mais específicas como o respeito à privacidade dos moradores, no Brasil ainda estamos na infância, e primeiros ensaios. Embora muitas tecnologias já estejam disponíveis atualmente, a gestão pública não as utiliza de forma efetiva. Prevejo que nos próximos anos estas soluções devem começar a chegar nas grandes capitais do Brasil, mais por uma influência dos vendedores de tecnologia com o intuito de desovar equipamentos e soluções de TIC desenvolvidas no primeiro mundo, do que efetivamente com um pensamento em melhorar a vida das cidades.

Quando olhamos para a realidade das cidades no interior da Amazônia as ações devem ocorrer sob uma ótica diferente. A questão ambiental não pode ser negligenciada, afinal, a relação com a natureza que nos caracteriza. Meu ponto é o seguinte: precisamos identificar os desafios e oportunidades específicas que todos estes modelos e ferramentas podem nos trazer.

Temos enormes desafios de infraestrutura e logística no interior da Amazônia. Por exemplo, conexão de internet e o fornecimento de energia elétrica são precários e com muitos momentos de falhas. Portanto, pensar em carros (ou barcos...) autônomos pela Amazônia é algo que não faz muito sentido nos próximos anos em decorrências das nossas dificuldades estruturais.

Um elemento principal é: como implantar estas tecnologias em um contexto que o respeito ao Meio Ambiente e a sobrevivência de uma população que vive à margem dos avanços tecnológicos devem ser o centro da preocupação?

Uma grande variedade de oportunidades estratégicas e de negócios estão à nossa frente. Por exemplo, todos sabemos as grandes dificuldades na coleta e destinação de lixo das cidades de diferentes portes na nossa região. Que bom seria se tivéssemos tecnologia para apoiar todos estes processos, resultando em um melhor respeito ao meio ambiente, e cuja destinação do lixo servisse para gerar energia e riqueza?

Você, morador de uma grande metrópole na região, vai possuir um smartphone com conectividade 5G mais cedo ou mais tarde. Mas antes disso, vamos pensar em como gerar oportunidades de negócios com toda a tecnologia que vem por aí nos próximos anos?



[1] LONG, T. Oct. 26, 1992: Software Glitch Cripples Ambulance Service. https://www.wired.com/2009/10/1026london-ambulance-computer-meltdown/
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