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27/04/2021 às 16h00min - Atualizada em 27/04/2021 às 16h00min

Especialista alerta para cuidados na segurança pública e privada no Estado

Imediatismo é um dos principais vilões para boa estratégia de segurança

Redação do Belem.com.br
Consultoria de segurança está entre as primeiras medidas necessárias para evitar ações criminosas. (Foto: Freepik)

           
A situação de pandemia da covid-19 amplificou as desigualdades sociais e isso afetou diretamente as questões de segurança pública e privada. O empresário Paulo Tamer, especialista em Gerenciamento de Crises, Controles de Operações Especiais e Detecção de Ameaças, conversou com o
Belem.com.br sobre os desafios e a urgência de se pensar estratégias para garantir um bom desempenho nas ações de segurança.

Segurança pública

Paulo, que é delegado de Polícia Civil aposentado, explica a partir de sua experiência, que há ainda muitas falhas nas estratégias para dificultar ações criminosas. Uma das maiores dificuldades é em relação a recursos humanos, pois faltam pessoas para se formar um efetivo ideal de atuação nas ruas e nos demais setores da polícia. Ele afirma que a melhor estratégia de ação é tentar combater a causa e não a consequência da criminalidade.

“É preciso montar um trabalho de inteligência. Se você tem em um setor, em uma rua, um traficante forte, com a delegacia itinerante indo na porta da vila dele, ele não consegue emergir, ele vai fazer alguma coisa pra sair de lá e quando isso ocorre, ele cai no flagrante. Então a gente vai na causa e não na consequência. Hoje eu vejo na Augusto Montenegro, 5h da tarde desfilam 20 viaturas novas dentro do BRT. Para onde vão essas viaturas? Sai de alguma coisa para o nada. Aí você entra na piçarra da Cabanagem, do Bengui, da Pratinha 1 e 2 e a criminalidade está explodindo ali dentro. Então em segurança pública continua tudo errado”, afirma Paulo.

Setor privado

Segundo o entrevistado, no setor privado há uma falsa noção de segurança. Existe a sensação de estar seguro, mas não há proteção e prevenção, de fato, seja por falta de suporte da segurança pública ou pelas medidas falhas e imediatistas, adotadas pelos empresários, na tentativa de evitar ações criminosas em seus empreendimentos. 

Paulo explica que mais do que colocar seguranças armados nas portas das lojas, é preciso se pensar em estratégias personalizadas para a realidade de cada empresa, pois é necessário fazer primeiramente uma análise da situação para que se possa montar uma estrutura específica de prevenção. 

“Este é um setor muito dinâmico, não é só esquematizar em um papel e “bora”. Tem que montar, aplicar e acompanhar o seu dinamismo, porque a cada tempo é um tempo, a evolução da criminalidade, a evolução da própria empresa. Pensar o que essa empresa precisa mais, a nível de proteção de segurança, para que evite um acontecimento em razão da sua evolução. Você separa um projeto para empresa hoje, amanhã ela pode ter evoluido. Então você tem que ir atualizando este organismo vivo”, explica o especialista. 

Soluções

Diante dos desafios nas questões de segurança, seja pública ou privada, é preciso pensar estratégias mais elaboradas e que atendam cada realidade. Paulo, que também é consultor na empresa Precav, de sistemas de segurança, explica que é necessário fugir do imediatismo. Para ele, ações imediatas provocam atos de tortura, de assédio moral e outros, como por exemplo, no caso de postura incorreta de profissionais de empresas de vigilância. 

“A maior proteção hoje é entender a necessidade de uma consultoria de segurança séria na sua empresa, que analise todos os departamentos, analise todas as necessidades e fragilidades para que se possa elaborar um plano interno de segurança que vai desde o programa de computador até a sua portaria”, explica Paulo. 

Segundo o entrevistado, a ação estratégica de segurança para uma empresa ou instituição vai além da vigilância no horário de expediente. A consultoria de segurança visa proteger não só a empresa em si, mas também quem trabalha ali dentro. “A consultoria de segurança vai identificar se o alto executivo está correndo um risco na rua, sequestro, assalto, se aquele carro que ele está andando é apropriado em razão dos níveis de criminalidade que o estado está passando onde hoje”, alerta. 

Sobre o entrevistado

Paulo Estevão Tamer é delegado de Polícia Civil aposentado, advogado e membro da Escola Superior de Guerra. Tem pós-graduação em Segurança Pública e é especialista em Gerenciamento de Crises, Controles de Operações Especiais e Detecção de Ameaças, formado pela National Tactical Officers Association. Atualmente, Paulo presta consultoria na área de segurança pela Precav, empresa que desenvolve sistemas de segurança personalizados. 


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