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07/02/2020 às 18h14min - Atualizada em 07/02/2020 às 18h14min

O Raio-X da produção local para se apresentar um espetáculo teatral

Texto de Fernando Matos
Muitos se perguntam se é possível viver de teatro. No cenário paraense, ele talvez não seja tão valorizado quanto gostaríamos. Tais questões, portanto, sempre rodeiam a mente de quem pensa nas origens de um espetáculo. Sentimo-nos, então, inspirados a mergulhar nessa reflexão: “Como as pequenas produções arrecadam dinheiro?”
 
É fato que o meio artístico, como muitos outros, tem seus altos e baixos, pois é inconstante, imprevisível e incerto. Mesmo que tenham sido sancionadas, no Brasil e nos Estados,  leis que visam aos incentivos fiscais às ações culturais, ainda é difícil conseguir recursos financeiros para produções teatrais. A partir de certos critérios previamente estabelecidos, a lei Rouanet, por exemplo, abarca alguns projetos que estimulam a valorização da cultura. Contudo, o sistema brasileiro acaba por depender do interesse de empresas que priorizam o lucro ante a arte em si.
 
Infelizmente, as companhias de teatro  no Pará não são tão renomadas quanto poderiam ser, e a plateia acaba sendo instável de um dia para o outro. Alguns dias, um completo êxito, com vários ingressos vendidos. Em outros, ao menos conseguimos chegar perto da meta estabelecida. Cada vez menos reconhecida, uma forma de expressão e entretenimento diversa e única não consegue um patrocinador e acaba se virando com os próprios recursos. Os lucros não garantidos fazem  os grupos se preocuparem com o orçamento e pensam em várias formas de economizar o dinheiro que eles têm para fazer a peça acontecer. Comprando apenas o essencial, a reutilização de utensílios e materiais herdados de peças anteriores... Uma maneira de gastar menos.
 
Produção, iluminação, sonoplastia e cenografia. Tudo por conta do comprometimento do grupo e assim, sempre estão em busca  de alternativas para tornar mais interessante a ida do público ao teatro.
 
É sabido que quando um espetáculo de fora do Estado vem se apresentar em Belém, geralmente os ingressos se esgotam rapidamente e isso muito mais por conta da presença dos atores globais do que propriamente pelo conteúdo do espetáculo em si... Fazer o quê se tudo para a produção local é caro?
 
É, meus amigos, fazer teatro no Pará é um verdadeiro malabarismo. Cada um se vira como pode: baixam o valor do ingresso (Que já é popular), vão para as praças divulgar e vender ingressos, levam os ingressos nas casas das pessoas e muito, muito mais... Ufa! São ações que os próprio s atores tem que fazer, além das de ensaiar, produzir e apresentar o espetáculo e como dizia o meu saudoso amigo e professor Rivaldo Rosas, "O ator em Belém faz um trabalho braçal para apresentar uma única vez o seu espetáculo". E querem saber? Fazem com muita dedicação, com muito amor a arte, mas fazem, principalmente, para encantar e convencer o público...
 
É preciso mudarmos esse panorama e valorizarmos mais o artista local. Belém tem grupos teatrais com  trabalhos de altíssima qualidade e grandiosíssimos talentos que emocionam, encantam e divertem tanto ou muitas vezes até mais e melhor que muitos trabalhos que vem de fora.
 
Nos faltam incentivos, de todas as formas, mas principalmente o reconhecimento do público para podermos ter grandes e belíssimas produções teatrais, com casas cheias e satisfeitas, como se tem em outros grandes centros.
 
Evoé ao teatro paraense!
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Fernando Matos

Fernando Matos

Fernando Matos é ator, autor, diretor teatral e professor. Sua paixão por teatro surgiu desde a infância.

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